“E aí levei a dívida de Goiás a 30 anos com uma coisa só. Era reajustada em quê? Em Selic. Hoje ela é reajustada como IPCA e zero de juros, zero de juros, zero de juros. Eu economizei pros próximos 30 anos 26 bilhões de reais na renegociação da dívida do estado.”
Ronaldo CaiadoPSDVerificado pela redação
- Dito em
- 26 de agosto de 2026
- Fonte primária
- Registro na íntegra (abre em nova aba)
Nesta ocasião11 mentiras de 42 checadas
O que recebeu o selo
Os termos da renegociação da dívida no Propag: prazo, indexador e taxa de juros. A cifra de R$ 26 bilhões de economia é estimativa do próprio governo estadual e está tratada no contexto.
O que os dados mostram
Os termos batem com a lei. O Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), instituído pela Lei Complementar nº 212, de 2025, prevê no artigo 5º a atualização monetária pelo IPCA e juros reais de 0% ao ano para os estados que reduzirem em pelo menos 20% a dívida apurada por meio dos instrumentos do artigo 3º e cumprirem as contrapartidas de investimento. Goiás assinou o termo aditivo em 24 de dezembro de 2025, saiu do Regime de Recuperação Fiscal e passou a pagar por essas regras, com refinanciamento de R$ 20,87 bilhões em contratos e prazo de 30 anos. A parte que a frase simplifica é o «era reajustada em Selic»: pela Lei Complementar nº 148, de 2014, os contratos de refinanciamento dos estados eram corrigidos por IPCA mais 4% ao ano, com a Selic funcionando como teto, e não como indexador. O juro zero também não é gratuito, é preço de contrapartida: exige a amortização antecipada de um quinto da dívida com ativos ou dinheiro e a aplicação anual de um ponto percentual do saldo devedor em investimentos.
A legenda registra «há 30 anos» onde a frase pede «a 30 anos», e «reajustado» onde pede «reajustada»: as duas palavras foram restauradas entre colchetes por serem homófonas e não alterarem o sentido. Conferido no art. 5º da Lei Complementar nº 212, de 2025, lido na íntegra, e no texto da Lei Complementar nº 148, de 2014, que define o encargo anterior. A Selic era teto, e não o encargo aplicado: com Selic em dois dígitos e IPCA mais 4% em torno de 9% ao ano, valia o menor dos dois, de modo que a troca real foi de IPCA mais 4% por IPCA sem juros, e não de Selic por IPCA. A nota da Secretaria da Economia de Goiás é de parte interessada e fica como contexto; o veredito repousa no texto das duas leis complementares. A estimativa de R$ 26 bilhões em 30 anos é do próprio governo estadual e não tem cálculo independente publicado; ela corresponde a algo como R$ 590 milhões por ano a menos do que se pagaria pelas regras do Regime de Recuperação Fiscal. A fala foi lida na legenda automática do YouTube, a única transcrição disponível deste material: nenhuma das duas publicações da sabatina tem legenda revisada, e os veículos anfitriões não publicaram transcrição desta passagem.
O que ainda falta apurar: A cifra de 26 bilhões e o prazo aparecem só na legenda automática; a checagem dos termos legais não depende dela, porque o artigo 5º da lei fixa IPCA e juros de 0%.
Classificação automática: 2 fontes confirmam contra 0 que refutam: verdade. Só fonte aprovada pela redação entra na contagem, e fonte de contexto não vota.
A mesma alegação, dita 2 vezes
A dívida de Goiás foi renegociada para trinta anos, com correção pelo IPCA e sem juros
No placar acumulado essas 2 ocorrências contam 2. No consolidado contam uma. Por que as duas contagens existem.
- 26/08/2026Sabatina do Globo, Valor e CBN com Ronaldo Caiadoesta
«E aí levei a dívida de Goiás a 30 anos com uma coisa só. Era reajustada em quê? Em Selic. Hoje ela é reajustada como IPCA e zero de juros, zero de juros, zero de juros. Eu economizei pros próximos 30 anos 26 bilhões de reais na renegociação da dívida do estado.»
Os termos da renegociação da dívida no Propag: prazo, indexador e taxa de juros. A cifra de R$ 26 bilhões de economia é estimativa do próprio governo estadual e está tratada no contexto.
- 26/08/2026Sabatina do Globo, Valor e CBN com Ronaldo Caiado
«E também soube renegociar no Propag. E aí levei a dívida de Goiás a 30 anos com uma coisa só: era reajustada em quê? Em Selic. Hoje ela é reajustada como IPCA e zero de juros, zero de juros.»
O veredito recai sobre as novas condições da dívida de Goiás com a União (prazo de 30 anos, correção pelo IPCA e juros reais de zero). A caracterização do encargo anterior como «Selic» é tratada no resumo.
A evidência
Fontes que confirmam2
Presidência da República, Planalto
Lei Complementar nº 212, de 2025 (Propag), art. 5º, incisos I e II: atualização pelo IPCA e juros reais de 0% ao ano mediante redução de 20% da dívida e contrapartida de investimento
Poder360
Goiás deixa Regime de Recuperação Fiscal e adere ao Propag: adesão formalizada em dezembro de 2025, com refinanciamento de R$ 20,87 bilhões por 30 anos
Fontes que refutam0
Nenhuma fonte aprovada refuta esta declaração.
Contexto, sem tomar lado2
Secretaria da Economia de Goiás
Goiás troca o Regime de Recuperação Fiscal pelo Propag: estimativa do governo estadual de R$ 26 bilhões de ganho fiscal em 30 anos, cerca de R$ 590 milhões por ano
Presidência da República, Planalto
Lei Complementar nº 148, de 2014, art. 2º, § 1º: encargo de IPCA mais 4% ao ano nos contratos de refinanciamento, limitado à taxa Selic
Histórico
- 05/09/2026Criada pela redação.
- 05/09/2026Verificada pela redação.
SetorEconomiaInflação, emprego, renda, juros, câmbio, tributos, contas públicas, crescimento.
Fonte adicionada por leitor entra em análise antes de aparecer, e antes de contar para a classificação.