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Dados em Painel
Falso

“Cada um ponto, Mariana, que eu consiga reduzir da taxa de juro oficial desse governo, significa R$ 90 bilhões de reais que eu abro no orçamento.”

Retrato de Flavio BolsonaroFlavio BolsonaroPLVerificado pela redação

Dito em
30 de agosto de 2026

Nesta ocasião3 mentiras de 25 checadas

O que os dados mostram

A conta dá cerca de metade disso. Em julho de 2026 a Dívida Pública Federal somava R$ 9,28 trilhões, e a parcela indexada à taxa flutuante, isto é, à Selic, era de 51,11% do estoque, segundo o Relatório Mensal da Dívida do Tesouro Nacional. Um ponto percentual a menos sobre esses R$ 4,74 trilhões economiza cerca de R$ 47 bilhões por ano. Mesmo somando as operações compromissadas do Banco Central, também remuneradas pela Selic, o conjunto das obrigações que reagem de imediato a um corte de um ponto fica bem abaixo dos R$ 90 bilhões. Os R$ 90 bilhões correspondem a 1% do estoque inteiro da dívida federal, como se tudo fosse pós-fixado, e quase metade não é: são títulos prefixados e corrigidos pelo IPCA, cujo custo não muda quando a Selic cai. Duas coisas que o número não considera e que jogam contra ele: o efeito de um corte de juros só aparece à medida que os títulos são renovados, e o gasto com juros é despesa financeira, fora do resultado primário e do limite de despesas, de modo que reduzi-lo não abre espaço no orçamento no sentido em que a palavra é usada na frase.

Dito no fecho da resposta sobre ajuste fiscal. O denominador vale dos dois lados: R$ 9,28 trilhões é a Dívida Pública Federal, e 51,11% dela é o estoque efetivamente atrelado à Selic. A origem provável dos R$ 90 bilhões está à vista: 1% de R$ 9 trilhões é exatamente R$ 90 bilhões, ou seja, a conta trata todo o estoque como pós-fixado. A base mais larga possível, a Dívida Bruta do Governo Geral, que inclui as operações compromissadas do Banco Central, só chegaria perto dos R$ 90 bilhões se cem por cento dela fosse indexada à Selic, o que não é o caso. O saldo das compromissadas não entra no resumo com valor porque o SGS do Banco Central não traz série publicada com esse rótulo. A fonte é o Relatório Mensal da Dívida do Tesouro Nacional. O número não repousa só nesta transcrição: ele disse o mesmo, com o mesmo valor, na sabatina do Jornal Nacional de 28 de agosto de 2026, transcrita por duas agências de checagem.

Classificação automática: 0 fontes confirmam contra 3 que refutam: falso. Só fonte aprovada pela redação entra na contagem, e fonte de contexto não vota.

A mesma alegação, dita 2 vezes

Cada ponto percentual de redução da Selic libera cerca de R$ 90 bilhões no Orçamento

No placar acumulado essas 2 ocorrências contam 2. No consolidado contam uma. Por que as duas contagens existem.

  1. 28/08/2026Sabatina do Jornal Nacional com Flávio Bolsonaro

    «Cada 1% de taxa de juro a menos que nós pagamos é cerca de R$ 90 bilhões que abre dentro do Orçamento.»

  2. 30/08/2026Entrevista ao Domingo Espetacular com Flávio Bolsonaroesta

    «Cada um ponto, Mariana, que eu consiga reduzir da taxa de juro oficial desse governo, significa R$ 90 bilhões de reais que eu abro no orçamento.»

A evidência

Fontes que confirmam0

Nenhuma fonte aprovada confirma esta declaração.

Fontes que refutam3

  • Metrópoles

    Dívida pública federal atingiu R$ 9,28 trilhões em julho de 2026

    Abrir (abre em nova aba)

  • Tesouro Nacional

    Relatório Mensal da Dívida, julho de 2026: Dívida Pública Federal de R$ 9,28 trilhões e participação de 51,11% dos títulos remunerados por taxa flutuante

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  • ADVFN Brasil

    Tesouro amplia dependência da Selic: LFTs já representam 51,1% da dívida pública, maior participação desde agosto de 2003

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Contexto, sem tomar lado2

  • Banco Central do Brasil

    SGS série 13762, Dívida Bruta do Governo Geral em proporção do PIB: 82,51% em julho de 2026, base alternativa testada na segunda passagem

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  • Aos Fatos · 28/08/2026

    Checamos a entrevista de Flávio Bolsonaro à TV Globo: transcrição da sabatina de 28 de agosto de 2026, em que ele usa o mesmo número de R$ 90 bilhões por ponto de juro

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Histórico

  1. 05/09/2026Criada pela redação.
  2. 05/09/2026Verificada pela redação.

SetorEconomiaInflação, emprego, renda, juros, câmbio, tributos, contas públicas, crescimento.

Fonte adicionada por leitor entra em análise antes de aparecer, e antes de contar para a classificação.