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Dados em Painel
Impreciso

“Vocês se lembram que quando o Brasil saiu da mão da Dilma, eu tava com 14% ali de taxa de juros, 10% de inflação, e com 1 ano de governo do Temer já tava a 4% da taxa de juros.”

Retrato de Ronaldo CaiadoRonaldo CaiadoPSDVerificado pela redação

Dito em
4 de agosto de 2026

Nesta ocasião4 mentiras de 35 checadas

O que recebeu o selo

O veredito recai sobre os três números da comparação: a taxa de juros e a inflação ao fim do governo Dilma e a taxa alcançada um ano depois. A avaliação sobre os governos é juízo e não recebe selo.

O que os dados mostram

Dois números conferem e o terceiro só fecha se for lido como juro real, que não é o que a frase diz. Quando Dilma Rousseff foi afastada, em maio de 2016, a meta Selic estava em 14,25% ao ano e seguiu nesse patamar até outubro; o IPCA acumulado em doze meses era de 9,28% em abril de 2016 e de 8,97% em agosto, tendo fechado 2015 em 10,67%. Já o «4%» não corresponde à Selic um ano depois: em agosto de 2017 a meta estava em 8,25% e só chegou a 7,00% em dezembro de 2017. O número fecha como juro real do fim de 2017: Selic de 7,00% menos IPCA de 2,95% dá 3,94%. É a leitura mais provável, porque segundos antes ele havia falado de «taxa de juro real de 3%, 4%», mas dentro da mesma frase os 14% são nominais e os 4% não são.

Séries da API do Banco Central: meta Selic (SGS 432) e IPCA acumulado em doze meses (SGS 13522). O número muda com a leitura. Como Selic nominal um ano após a posse definitiva de Michel Temer (agosto de 2017), o valor é 8,25%, mais que o dobro do citado; como juro real ex-post de agosto de 2017, é 6,6%; como juro real ao fim do primeiro ano civil completo de Temer, é 3,94%. Só a terceira leitura salva o número, e por isso o veredito é impreciso e não falso. Nenhum valor veio de notícia: todos saem da série do Banco Central. A única transcrição disponível é a legenda automática do YouTube, faixa json3 com 7.516 marcações de tempo, remontada em blocos de 15 segundos. Ela bate palavra por palavra com o arquivo em disco, ou seja, é a mesma fonte, e não uma segunda transcrição independente. Não existe transcrição oficial da sabatina publicada, e o teor das falas entra por essa legenda e só por ela.

O que ainda falta apurar: Os três percentuais aparecem só na legenda automática: nenhuma reportagem sobre a sabatina registra a formulação, e não há transcrição oficial da fala.

Sobreposição editorial

A redação classificou esta declaração à mão, sobrepondo a contagem de fontes. A Selic de 14,25% e a inflação perto de 10% ao fim do governo Dilma conferem. O «4% da taxa de juros» um ano depois não confere como Selic, que era de 8,25% em agosto de 2017; só fecha como juro real do fim de 2017, 3,94%.

A mesma alegação, dita 2 vezes

A taxa de juros caiu fortemente no primeiro ano do governo Temer, depois de fechar o governo Dilma em 14%

No placar acumulado essas 2 ocorrências contam 2. No consolidado contam uma. Por que as duas contagens existem.

  1. 04/08/2026Sabatina do Antagonista e do G4 com Ronaldo Caiadoesta

    «Vocês se lembram que quando o Brasil saiu da mão da Dilma, eu tava com 14% ali de taxa de juros, 10% de inflação, e com 1 ano de governo do Temer já tava a 4% da taxa de juros.»

    O veredito recai sobre os três números da comparação: a taxa de juros e a inflação ao fim do governo Dilma e a taxa alcançada um ano depois. A avaliação sobre os governos é juízo e não recebe selo.

  2. 23/08/2026Debate da Band, primeiro turno

    «Vou fazer com que a taxa de juros caia a patamares como já caíram em termos de 6% quando Michel Temer assumiu o governo.»

    A oração checada é «já caíram em termos de 6% quando Michel Temer assumiu o governo». A primeira parte, «vou fazer com que a taxa de juros caia», é promessa e não recebe veredito.

A evidência

Fontes que confirmam1

  • Banco Central do Brasil

    SGS 432, meta para a taxa Selic definida pelo Copom: 14,25% até outubro de 2016, 8,25% em setembro de 2017 e 7,00% em dezembro de 2017

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Fontes que refutam1

  • Banco Central do Brasil

    SGS 13522, IPCA acumulado em doze meses: 9,28% em abril de 2016, 8,97% em agosto de 2016 e 2,95% em dezembro de 2017

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Histórico

  1. 04/09/2026Criada pela redação.
  2. 04/09/2026Verificada pela redação.
  3. 06/09/2026Reclassificada à mão para impreciso, sobrepondo a contagem de fontes.

SetorEconomiaInflação, emprego, renda, juros, câmbio, tributos, contas públicas, crescimento.

Fonte adicionada por leitor entra em análise antes de aparecer, e antes de contar para a classificação.