“Nós precisamos ter (...) oratória, porque 75% dos jovens têm glossofobia ou medo de falar em público.”
Escritor Augusto CuryAVANTEVerificado pela redação
- Dito em
- 23 de agosto de 2026
- Onde foi dito
- Debate da Band, primeiro turno
Eleições 2026 - Fonte primária
- Registro na íntegra (abre em nova aba)
Nesta ocasião13 mentiras de 71 checadas
O que recebeu o selo
O veredito recai sobre os 75% de jovens com glossofobia. A proposta de repaginar os currículos é compromisso futuro e vai para o módulo de promessas.
O que os dados mostram
A medição brasileira que existe é bem menor, e ela não é sobre jovens. Pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Ciências Fonoaudiológicas da Universidade Federal de Minas Gerais aponta que 60% dos brasileiros sofrem com medo de falar em público, quinze pontos abaixo do que ele citou, e o recorte é a população adulta, não a faixa jovem. Os 75% circulam em material de divulgação que atribui o número a «estudos» sobre a população mundial, sem identificar levantamento nem amostra; a referência mais próxima com origem nomeada é a do National Institute of Mental Health dos Estados Unidos, com cerca de 73% de algum grau de glossofobia, também sobre a população em geral e em outro país. Não existe inquérito brasileiro que meça glossofobia entre jovens.
Ausência declarada, e ela é parte do resultado: não há inquérito nacional que meça medo de falar em público por faixa etária; o que existe é o estudo da UFMG sobre a população adulta e estudos-piloto com amostras universitárias. O número dele não sobrevive em nenhuma leitura. Se a referência for a população mundial em geral, o valor que circula é 75%, mas sem estudo identificável por trás, e a regra desta casa é que número que só existe em base não identificada não pode ser o eixo do veredito. Se a referência for o Brasil, o valor medido é 60%. Se for a faixa jovem, não há medição. Nenhuma das três salva a frase como enunciada, e por isso o rótulo é impreciso e não verdade. Os 75% não têm artigo original rastreável: o que existe são repetições da divulgação, sem citação de fonte primária, e isso está registrado aqui. Atribuição confirmada pela cobertura ao vivo do debate, que registra a frase com o nome dele.
Sobreposição editorial
A redação classificou esta declaração à mão, sobrepondo a contagem de fontes. A única medição brasileira publicada aponta 60% da população adulta com medo de falar em público, e não 75%. Os 75% circulam como estimativa sobre a população mundial, sem estudo identificável, e não há inquérito que meça glossofobia entre jovens no Brasil.
A mesma alegação, dita 2 vezes
Setenta e cinco por cento dos jovens têm glossofobia ou medo de falar em público
No placar acumulado essas 2 ocorrências contam 2. No consolidado contam uma. Por que as duas contagens existem.
- 18/08/2026Sabatina do Jornal do SBT News com Augusto Cury
«Porque 75% dos jovens têm medo de falar em público ou glossofobia.»
O veredito recai sobre os 75% de jovens com glossofobia. A proposta de incluir oratória no currículo é compromisso futuro.
- 23/08/2026Debate da Band, primeiro turnoesta
«Nós precisamos ter (...) oratória, porque 75% dos jovens têm glossofobia ou medo de falar em público.»
O veredito recai sobre os 75% de jovens com glossofobia. A proposta de repaginar os currículos é compromisso futuro e vai para o módulo de promessas.
A evidência
Fontes que confirmam0
Nenhuma fonte aprovada confirma esta declaração.
Fontes que refutam1
Sextante, UFRGS
O medo que trava a língua: 60% dos brasileiros sofrem com o medo de falar em público, segundo pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Ciências Fonoaudiológicas da UFMG
Contexto, sem tomar lado1
Redalyc
Medo de falar em público: estudo piloto da glossofobia em contexto de alunos universitários
Histórico
- 04/09/2026Criada pela redação.
- 04/09/2026Verificada pela redação.
- 06/09/2026Reclassificada à mão para impreciso, sobrepondo a contagem de fontes.
SetorEducaçãoEscolas, universidades, institutos federais, alfabetização, professores.
Fonte adicionada por leitor entra em análise antes de aparecer, e antes de contar para a classificação.