“Grande parte das drogas que abastecem os narcoterroristas do Rio de Janeiro também chegam de barco.”
Flavio BolsonaroPLVerificado pela redação
- Dito em
- 30 de agosto de 2026
- Fonte primária
- Registro na íntegra (abre em nova aba)
Nesta ocasião3 mentiras de 25 checadas
O que recebeu o selo
O veredito recai sobre a via de chegada e sobre a proporção afirmada: que grande parte da droga que abastece as facções do Rio de Janeiro chega ao estado por barco.
O que os dados mostram
A droga que abastece as facções do Rio chega por terra, e o que sai do Rio pela água é droga de exportação. A Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Polícia Civil do Rio descreve três rotas de entrada de drogas e armas vindas dos países vizinhos, e a principal, a Rota do Norte, sai da região próxima à Venezuela, corta a Amazônia pelos rios Negro e Solimões e pelo Pará, alcança o Centro-Oeste e daí o Sudeste; na investigação que ligou Tabatinga, na tríplice fronteira, à capital fluminense, a droga desce o país em carros ou caminhões, passando pelo Centro-Oeste e por Minas Gerais. Em julho de 2026, a Polícia Civil desmontou a linha que abastecia os complexos da Penha e de Manguinhos com cerca de 200 quilos de haxixe por semana, quase uma tonelada por mês, saídos de uma fábrica clandestina em Guarulhos: o transporte era feito em carros alugados pela Via Dutra. O mar, no Rio, aparece na direção oposta à que ele descreve: o interesse do Comando Vermelho pelos portos do Rio e de Itaguaí e pela Baía de Guanabara é abrir corredor para mandar droga à Europa e à África, e o acesso ao mar facilitaria a entrada de armas e munição, não a de droga. Nenhuma estatística pública reparte por via de entrada a droga que chega ao Rio: a base do Instituto de Segurança Pública tem 65 variáveis, duas delas de apreensão de drogas, e nenhuma registra o meio de transporte; no Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026, a apreensão aparece por unidade da federação na Tabela 53, com 30.676 registros no Rio de Janeiro em 2025, e as palavras «barco», «embarcação» e «navio» não ocorrem em nenhuma das 424 páginas.
Dito na resposta sobre a publicação dele de 23 de outubro de 2025, que citava barcos na Baía de Guanabara, e reproduzido com as mesmas palavras pelo Metrópoles na noite da entrevista. Conferido na base BaseDPEvolucaoMensalCisp do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro, variáveis apreensao_drogas e apreensao_drogas_sem_autor, que somam 29.924 registros no estado em 2025. A leitura mais favorável à frase é a de que qualquer trecho fluvial do percurso já conta como chegar de barco, e ela tem apoio parcial, porque a rota principal desce os rios Negro e Solimões; o trecho final, o que termina no Rio de Janeiro, é descrito pela polícia do estado como rodoviário. O episódio que mais se pareceria com o que ele afirma aponta no sentido inverso: os 336 quilos de cocaína achados pela Polícia Federal num barco pesqueiro na Baía de Guanabara, em julho de 2018, estavam em doze bolsas que seriam içadas para um contêiner de navio com destino à Europa. Defasagem entre o dado e a fala: a descrição das rotas pela Polícia Civil é de 10 de agosto de 2026, vinte dias antes da entrevista; a série do Instituto de Segurança Pública vai de 2003 a 2026; o Anuário fecha em 2025.
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A evidência
Fontes que confirmam0
Nenhuma fonte aprovada confirma esta declaração.
Fontes que refutam5
Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro
BaseDPEvolucaoMensalCisp, Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro, 2003 a 2026: 65 variáveis por delegacia e mês, entre elas apreensao_drogas e apreensao_drogas_sem_autor, que somam 29.924 registros no estado em 2025, e nenhuma que registre por onde a droga entrou
G1 · 26/05/2024
Rota do Rio: entenda o caminho utilizado para o tráfico de drogas do Amazonas até o Rio de Janeiro: investigação da Polícia Civil descreve o trecho final em carros e caminhões, pelo Centro-Oeste e por Minas Gerais
O Globo · 03/07/2026
Conexão Guarulhos-Rio: Polícia Civil desmonta rota que abastecia o CV com quase uma tonelada de haxixe por mês: 200 quilos por semana em carros alugados pela Via Dutra, com destino aos complexos da Penha e de Manguinhos
Fórum Brasileiro de Segurança Pública · 20/07/2026
Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, Tabela 53, p. 308: registros de apreensão de drogas por unidade da federação, 30.676 no Rio de Janeiro em 2025, sem repartição por via de entrada; «barco», «embarcação» e «navio» têm zero ocorrências nas 424 páginas
O Globo · 10/08/2026
As quatro guerras do CV: facção disputa controle das rotas do tráfico no Rio mirando portos e Baía de Guanabara: as três rotas por onde drogas e armas dos países vizinhos chegam ao Rio, e o interesse marítimo do Comando Vermelho como saída para Europa e África
Contexto, sem tomar lado5
Metrópoles
Cargueiros do Pó, a rota marítima do tráfico de cocaína do Brasil à Europa: reportagem sobre a via marítima, que trata da saída de droga do país e não do abastecimento do Rio
Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
PRF registra recorde histórico de apreensão de drogas nas rodovias federais: mais de 850 toneladas em 2024, lideradas por Paraná e Mato Grosso do Sul
Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro
ISP Dados Abertos, Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro: base consultada, não publica repartição da droga por via de entrada
G1 · 22/07/2018
Polícia Federal apreende mais de 300 quilos de cocaína na Baía de Guanabara: 336 quilos num barco pesqueiro, em doze bolsas que seriam içadas para um contêiner de navio com destino à Europa
Metrópoles · 30/08/2026
Flávio Bolsonaro diz que não vai permitir intervenção dos EUA no Brasil: reprodução literal da frase dita na entrevista à Record
Histórico
- 05/09/2026Criada pela redação.
- 05/09/2026Verificada pela redação.
SetorSegurança públicaCrime, polícia, homicídios, facções, armas, violência doméstica e feminicídio.
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