“Cada 1 ponto percentual da taxa Selic, nós pagamos quase R$ 100 bilhões a mais para rolar a dívida federal.”
Escritor Augusto CuryAVANTEVerificado pela redação
- Dito em
- 29 de agosto de 2026
- Fonte primária
- Registro na íntegra (abre em nova aba)
Nesta ocasião3 mentiras de 19 checadas
O que os dados mostram
O mecanismo é real e o valor é bem maior que o registro do Banco Central. O BC publica todo mês, na nota de Estatísticas Fiscais, quanto uma variação de 1 ponto percentual na Selic mantida por doze meses move a dívida. Na nota de 31 de julho de 2026, a última antes da entrevista, o impacto é de R$ 60,6 bilhões sobre a Dívida Bruta do Governo Geral (0,46% do PIB) e de R$ 66,1 bilhões sobre a Dívida Líquida do Setor Público (0,50% do PIB). Na edição anterior, de 30 de junho, eram R$ 59,3 bilhões e R$ 65,0 bilhões. Os «quase R$ 100 bilhões» ficam 51% acima da estimativa mais alta das duas e 65% acima da que se refere à dívida bruta. A conta que produz o número dele é aplicar 1% sobre o estoque inteiro da dívida bruta, R$ 10,8 trilhões, o que dá R$ 108 bilhões; o impacto real é menor porque só a parcela indexada à Selic responde na hora, e o resto do estoque é prefixado ou indexado a preços.
Não há leitura que salve os R$ 100 bilhões. Pelo horizonte, a convenção do Banco Central é o impacto acumulado em doze meses; em vinte e quatro meses o valor passaria de R$ 120 bilhões, mas ele não declarou prazo e o prazo implícito na frase é o ano. Pela medida mais alta que o Banco Central publica, a dívida líquida, o efeito é de R$ 66,1 bilhões. Nenhuma das duas chega perto. O Fato ou Fake do g1 descreve a mesma nota do Banco Central, e o número aqui vem do PDF da própria nota (202607_Texto_de_estatisticas_fiscais.pdf); a edição de junho traz valor da mesma ordem, o que mostra que a de julho não é ponto fora da curva. Divergência declarada: o veredito acompanha o «não é bem assim» do anfitrião, e não vai a falso, porque o erro está na base sobre a qual ele aplicou o ponto percentual, e não na existência do efeito.
Sobreposição editorial
A redação classificou esta declaração à mão, sobrepondo a contagem de fontes. O efeito existe e é dos maiores do Orçamento, mas a base está trocada: 1 ponto percentual de Selic move R$ 60,6 bilhões na dívida bruta em doze meses, pela conta do Banco Central, e não quase R$ 100 bilhões, que é o que sai de aplicar o ponto sobre o estoque inteiro da dívida.
A evidência
Fontes que confirmam0
Nenhuma fonte aprovada confirma esta declaração.
Fontes que refutam2
Banco Central do Brasil · 30/06/2026
Nota para a Imprensa, Estatísticas Fiscais, 30 de junho de 2026: os mesmos impactos em R$ 65,0 bilhões e R$ 59,3 bilhões
Banco Central do Brasil · 31/07/2026
Nota para a Imprensa, Estatísticas Fiscais, 31 de julho de 2026: redução de 1 p.p. na taxa Selic, impacto de R$ 66,1 bilhões na DLSP e de R$ 60,6 bilhões na DBGG
Contexto, sem tomar lado1
g1 Fato ou Fake · 30/08/2026
No JN, veja o que e Fato e o que e Fake na entrevista de Augusto Cury a Globo, 29/08/2026 (reproducao integra; a URL original no g1 nao foi localizada por busca); transcrição literal da fala sobre a Selic e o veredito «não é bem assim»
Histórico
- 04/09/2026Criada pela redação.
- 04/09/2026Verificada pela redação.
- 05/09/2026Reclassificada à mão para impreciso, sobrepondo a contagem de fontes.
SetorEconomiaInflação, emprego, renda, juros, câmbio, tributos, contas públicas, crescimento.
Fonte adicionada por leitor entra em análise antes de aparecer, e antes de contar para a classificação.