“Até fontes jornalísticas são ameaçadas, têm quebra de sigilo, sofrem busca e apreensão, lesando um direito sagrado de todo o jornalista, de sigilo da sua fonte, porque um jornalista do Maranhão tava fazendo denúncias de um uso de um bem público que era do Flávio Dino de forma irregular.”
Flavio BolsonaroPLVerificado pela redação
- Dito em
- 28 de agosto de 2026
- Fonte primária
- Registro na íntegra (abre em nova aba)
Nesta ocasião16 mentiras de 41 checadas
O que recebeu o selo
O veredito recai sobre os fatos afirmados: busca e apreensão contra jornalista, quebra de sigilo de fonte, e a relação disso com reportagens sobre uso irregular de bem público ligado a Flávio Dino. A qualificação do direito como sagrado é juízo e não foi checada.
O que os dados mostram
Aconteceu, e está documentado por duas organizações de imprensa. O jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida publicou, em novembro de 2025, três textos em seu blog apontando uso regular de um veículo oficial do tribunal pela família do ministro Flávio Dino. Dino acusou o jornalista de perseguição, e em investigação determinada por Alexandre de Moraes a Polícia Federal fez busca e apreensão na casa dele em São Luís, em 10 de março de 2026, levando um notebook e telefones celulares. Em agosto de 2026 a mesma investigação alcançou o ex-secretário do governo do Maranhão Raimundo Cutrim, apontado como fonte das reportagens, e um advogado local. O Comitê para a Proteção de Jornalistas registrou os dois episódios e tratou o segundo como quebra de sigilo de fonte; a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo classificou a apreensão como precedente preocupante para o exercício do jornalismo no Brasil.
O contraexemplo mais forte seria a investigação ter outro objeto que não as reportagens. Ele existe em parte e está no resumo: a operação de agosto também buscou um comprovante de transferência bancária referente a uma tentativa de compra de imóvel rural pelo jornalista, e o próprio jornalista disse que fatos de natureza privada estão sendo usados para lhe atribuir conduta criminosa. Isso não derruba a declaração, porque a investigação nasceu das três publicações e porque a apreensão do material de trabalho e o alcance da fonte estão registrados pelas duas entidades. O detalhe que ele dá também confere: o bem público é um veículo oficial usado pela família do ministro, e não um bem de propriedade dele. As fontes que votam são os dois comunicados do Comitê para a Proteção de Jornalistas, que são o registro de primeira mão das duas operações; o processo corre sob sigilo judicial e o portal do Supremo não está acessível.
Classificação automática: 3 fontes confirmam contra 0 que refutam: verdade. Só fonte aprovada pela redação entra na contagem, e fonte de contexto não vota.
A evidência
Fontes que confirmam3
Committee to Protect Journalists · 16/03/2026
CPJ urges Brazilian authorities to return equipment seized from journalist in Maranhão: busca em 10 de março de 2026 por ordem de Alexandre de Moraes, com apreensão de notebook e celulares, após três textos de novembro de 2025 sobre uso de veículo oficial pela família do ministro Flávio Dino
Committee to Protect Journalists · 14/08/2026
Brazilian Supreme Court breaks source confidentiality over judge's «stalking» claims against journalist: operação de agosto de 2026 contra o ex-secretário Raimundo Cutrim, apontado como fonte das reportagens
Agência Lupa · 28/08/2026
No JN, Flávio Bolsonaro nega aquecimento global e erra sobre Pix, Dark Horse e ataques às urnas: verbete sobre fontes jornalísticas, classificado como verdadeiro
Fontes que refutam0
Nenhuma fonte aprovada refuta esta declaração.
Histórico
- 05/09/2026Criada pela redação.
- 05/09/2026Verificada pela redação.
SetorInstituiçõesJudiciário, Congresso, eleições, corrupção, liberdade de imprensa, Forças Armadas.
Fonte adicionada por leitor entra em análise antes de aparecer, e antes de contar para a classificação.