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Dados em Painel
Impreciso

“O Brasil ele apresenta um grau de violência de guerra urbana comparável a nações em guerra. Morre mais gente no Brasil do que no conflito da Ucrânia.”

Retrato de Renan SantosRenan SantosMISSÃOVerificado pela redação

Dito em
17 de agosto de 2026

Nesta ocasião0 mentiras de 36 checadas

O que recebeu o selo

O veredito recai sobre a comparação numérica entre mortes no Brasil e mortes no conflito da Ucrânia. Não recai sobre o juízo de que o país tem grau de violência comparável a nações em guerra.

O que os dados mostram

A comparação vira ou perde conforme a base, e ele não disse qual usou. Pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026, o Brasil registrou 40.775 mortes violentas intencionais em 2025, taxa de 19,1 por 100 mil habitantes, a menor desde 2012. Do lado ucraniano, se a conta for de civis, ele está certo com folga: a missão de monitoramento de direitos humanos da ONU contabilizou 15.168 civis ucranianos mortos e 41.534 feridos nos quatro anos de guerra em grande escala, e o Conflict Intelligence Team registrou ao menos 2.919 civis mortos somente em 2025, o ano mais letal para civis até então. Ou seja, o Brasil mata em um ano cerca de catorze vezes o número de civis mortos na Ucrânia em um ano, e 2,7 vezes o acumulado de quatro anos. Se a conta incluir militares, a comparação se inverte: o Center for Strategic and International Studies estima 1,2 milhão de baixas russas, com ao menos 325 mil mortos, entre fevereiro de 2022 e dezembro de 2025, e até 600 mil baixas ucranianas, com cerca de 140 mil mortos; o presidente ucraniano declarou 55 mil militares do próprio país mortos em toda a guerra. Pela estimativa do CSIS para os dois lados, a média anual de militares mortos passa de 100 mil, mais do que o dobro das mortes violentas brasileiras. As duas leituras usam dados reais e chegam a resultados opostos.

A frase mistura um juízo de comparabilidade («grau de violência de guerra urbana») com uma proposição quantitativa, e só a segunda entra no veredito. A escolha da base do lado ucraniano decide o resultado: 40.775 contra 2.919 mortes de civis dá uma resposta, e 40.775 contra mais de 100 mil mortes militares dá a oposta. A contagem de civis é a única verificada caso a caso, e por isso a mais sólida; a de militares é a mais completa em cobertura do conflito, mas é composta de estimativas de instituto de pesquisa e de declaração de parte interessada, o que rebaixa a precisão sem eliminar a ordem de grandeza. O boletim original da missão da ONU na Ucrânia e o relatório do CSIS não estão disponíveis em endereço aberto, e os dois números entram por compilação jornalística que atribui cada um à sua fonte, ou seja, de segunda mão. A cobertura do SBT News registra que ele afirmou morrer mais gente no Brasil do que na Ucrânia, o que confirma a transcrição sem resolver a base.

Sobreposição editorial

A redação classificou esta declaração à mão, sobrepondo a contagem de fontes. A comparação depende de uma base que ele não declarou. Contra mortes de civis na Ucrânia, ao menos 2.919 em 2025, o Brasil mata cerca de catorze vezes mais em um ano, e a afirmação se sustenta. Contra o total de mortes no conflito, incluindo militares dos dois lados, a média anual passa de 100 mil pelas estimativas do CSIS e a afirmação se inverte.

A evidência

Fontes que confirmam1

  • Fórum Brasileiro de Segurança Pública

    Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 (dados de 2025, publicado em julho de 2026), p. 31: 40.775 mortes violentas intencionais, taxa de 19,1 por 100 mil, queda de 8,2% sobre 2024

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Fontes que refutam1

  • Al Jazeera · 23/02/2026

    The Ukraine war in numbers: People, territory, money: 15.168 civis ucranianos mortos e 41.534 feridos em quatro anos pela missão da ONU, ao menos 2.919 civis mortos em 2025 pelo Conflict Intelligence Team, e as estimativas do CSIS de 325 mil militares russos e cerca de 140 mil ucranianos mortos

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Contexto, sem tomar lado1

  • CBC News

    4 years of war in Ukraine: by the numbers: segunda compilação das estimativas de mortos civis e militares, usada para conferir as cifras

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Histórico

  1. 04/09/2026Criada pela redação.
  2. 04/09/2026Verificada pela redação.
  3. 06/09/2026Reclassificada à mão para impreciso, sobrepondo a contagem de fontes.

SetorSegurança públicaCrime, polícia, homicídios, facções, armas, violência doméstica e feminicídio.

Fonte adicionada por leitor entra em análise antes de aparecer, e antes de contar para a classificação.