“Peguei o estado com déficit de 11 bilhões e, depois de dois anos, entreguei cinco superávits. Nos últimos cinco anos, Minas Gerais gastou menos do que arrecada. A folha de pagamento que representava 67% caiu para 49%.”
ZemaNOVOVerificado pela redação
- Dito em
- 25 de agosto de 2026
- Fonte primária
- Registro na íntegra (abre em nova aba)
Nesta ocasião7 mentiras de 40 checadas
O que recebeu o selo
Recebem veredito os três números: o déficit herdado, a contagem de superávits e a trajetória da despesa com pessoal sobre a receita corrente líquida. A afirmação de que ele é «especialista em fazer ajuste» é juízo e não entra.
O que os dados mostram
Os três números batem, e a despesa com pessoal vem de uma série específica. Minas Gerais fechou 2018, o ano anterior à posse, com déficit orçamentário de R$ 11,2 bilhões. O primeiro resultado positivo veio em 2021, o terceiro ano de governo, e a partir dali foram cinco: R$ 103 milhões em 2021, R$ 2,2 bilhões em 2022, R$ 299 milhões em 2023, R$ 5,179 bilhões em 2024 e R$ 1,108 bilhão em 2025. A despesa total com pessoal do Poder Executivo estadual, no Relatório de Gestão Fiscal enviado ao Siconfi, saiu de 66,65% da receita corrente líquida em 2018 para 48,22% em 2025. O que a comparação entre as duas pontas esconde é que a queda não foi contínua: 58,42% em 2019, 53,93% em 2020, 48,68% em 2021, 48,44% em 2022, subiu para 51,37% em 2023, voltou a 48,80% em 2024 e fechou em 48,22% em 2025. E o índice de 2025 fica abaixo do teto de 49% da Lei de Responsabilidade Fiscal, mas acima do limite prudencial de 46,55%, o que rendeu alerta do Tribunal de Contas do Estado. O superávit de 2024, o maior da série, foi inflado pelos acordos de Mariana e Brumadinho, e o de 2025 caiu para menos de um quarto disso porque a despesa com serviço da dívida subiu de R$ 3,80 bilhões para R$ 6,57 bilhões.
A leitura que derrubaria a frase é a do resultado primário: pelo Anexo 6 do Relatório Resumido da Execução Orçamentária, Minas teve resultado positivo até em 2018 (R$ 1,42 bilhão acima da linha), ou seja, na régua do primário o «déficit de 11 bilhões» não aparece. O número dele é o resultado orçamentário, receita realizada menos despesa executada, que é a régua que o próprio estado usa no Balanço Geral e a régua certa para a frase, porque é a que inclui o serviço da dívida. As duas ficam declaradas. A transcrição automática se contradiz: na marca de 22:11 a legenda registra que a folha «caiu para 40», e na de 13:24 registra «caiu para 49». Os dois não podem estar certos, e a série do Siconfi decide: 48,22% em 2025 e 48,80% em 2024, o que arredonda para 49 e não para 40. O g1 transcreveu «caiu para 49%». Os percentuais de despesa com pessoal foram conferidos na API do Siconfi, ano a ano, que é o dado bruto; o comunicado do governo estadual sobre 2025 só existe hoje na cópia do Internet Archive, porque a Agência Minas está fora do ar por vedação eleitoral, com aviso de desativação até o fim do período.
Classificação automática: 3 fontes confirmam contra 0 que refutam: verdade. Só fonte aprovada pela redação entra na contagem, e fonte de contexto não vota.
A mesma alegação, dita 5 vezes
Minas Gerais tinha déficit de R$ 11 bilhões em 2018 e passou a ter superávit
No placar acumulado essas 5 ocorrências contam 5. No consolidado contam uma. Por que as duas contagens existem.
- 04/08/2026Sabatina do Antagonista e do G4 com Romeu Zema
«Não foi de um dia pro outro que mudou de menos 11 bilhões para mais 5 bilhões, como eu disse, foi ao longo de 7 anos.»
O veredito recai sobre a passagem de um déficit de R$ 11 bilhões para um superávit de R$ 5 bilhões.
- 04/08/2026Sabatina do Antagonista e G4 com Romeu Zema
«E Minas tinha um déficit, tá lá, 11 bilhões em 2018, último ano do desgoverno PT. Em 2024, um superávit de cinco.»
Os dois valores orçamentários. A qualificação do governo anterior como desgoverno é juízo e não recebe veredito.
- 19/08/2026Sabatina do Jornal do SBT News com Romeu Zema
«No último ano do governo PT, o saldo negativo do estado foi 11 bilhões, déficit de 11 bilhões. Em 2024 foi superavit de cinco.»
Os dois resultados orçamentários, o de 2018 e o de 2024.
- 25/08/2026Sabatina do Globo, Valor e CBN com Romeu Zemaesta
«Peguei o estado com déficit de 11 bilhões e, depois de dois anos, entreguei cinco superávits. Nos últimos cinco anos, Minas Gerais gastou menos do que arrecada. A folha de pagamento que representava 67% caiu para 49%.»
Recebem veredito os três números: o déficit herdado, a contagem de superávits e a trajetória da despesa com pessoal sobre a receita corrente líquida. A afirmação de que ele é «especialista em fazer ajuste» é juízo e não entra.
- 25/08/2026Sabatina do Globo, Valor e CBN com Romeu Zema
«Depois peguei o estado com déficit de 11 bilhões e depois de 2 anos entreguei cinco superavites. Nos últimos 5 anos, Minas Gerais gastou menos do que a receita.»
O veredito recai sobre o déficit herdado de R$ 11 bilhões, sobre os cinco superávits e sobre os cinco anos seguidos em que o estado gastou menos do que arrecadou. A autoclassificação como especialista em ajuste, dita na mesma resposta, é juízo e não se checa.
A evidência
Fontes que confirmam3
Secretaria do Tesouro Nacional
Siconfi, Relatório de Gestão Fiscal Anexo 01 do Poder Executivo de Minas Gerais, 3º quadrimestre: despesa total com pessoal em 66,65% da RCL ajustada em 2018, 58,42% em 2019, 53,93% em 2020, 48,68% em 2021, 48,44% em 2022, 51,37% em 2023, 48,80% em 2024 e 48,22% em 2025
Agência Minas, Governo de Minas Gerais · 30/01/2026
Governo de Minas mantém equilíbrio fiscal pelo quinto ano consecutivo (30/01/2026): superávit de R$ 1,108 bilhão em 2025, despesa total de pessoal em 48,22% da RCL, dívida consolidada líquida em 167,46% da RCL; reprodução do Internet Archive, porque o portal está desativado por vedação eleitoral
g1, O Globo, Valor e CBN · 25/08/2026
Veja o que é #FATO e o que é #FAKE na sabatina de Romeu Zema a 'O Globo', 'Valor' e CBN: déficit orçamentário de R$ 11,2 bilhões em 2018 e os cinco superávits informados ao Siconfi, ano a ano
Fontes que refutam0
Nenhuma fonte aprovada refuta esta declaração.
Contexto, sem tomar lado1
O Tempo · 20/02/2026
Minas tem rombo de R$ 11,3 bilhões no caixa no último ano do governo de Romeu Zema: o déficit de 2025 nos recursos não vinculados, régua diferente da do resultado orçamentário
Histórico
- 05/09/2026Criada pela redação.
- 05/09/2026Verificada pela redação.
SetorEconomiaInflação, emprego, renda, juros, câmbio, tributos, contas públicas, crescimento.
Fonte adicionada por leitor entra em análise antes de aparecer, e antes de contar para a classificação.