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Dados em Painel
Verdade

“Eu tive a honra de visitar os lugares mais pobres do Brasil. Fui nos municípios mais pobres: Marajá do Sena, fui lá em Melgaço, na ilha do Marajó.”

Retrato de Renan SantosRenan SantosMISSÃOVerificado pela redação

Dito em
17 de agosto de 2026

Nesta ocasião0 mentiras de 36 checadas

O que recebeu o selo

O veredito recai sobre a caracterização dos dois municípios como estando entre os mais pobres do Brasil. As visitas do candidato a eles não foram objeto de apuração.

O que os dados mostram

Os dois municípios estão no fundo da distribuição de renda do país. Pela tabela 10295 do Censo 2022 do IBGE, que traz o rendimento nominal médio mensal domiciliar per capita por município, Marajá do Sena, no Maranhão, tem R$ 425,87 e é o 9º mais baixo entre os 5.570 municípios com valor apurado, e Melgaço, no Pará, tem R$ 476,85 e é o 30º mais baixo. Os dois estão, portanto, no meio-milésimo inferior da distribuição. O município com o menor rendimento domiciliar per capita do país é Uiramutã, em Roraima, com R$ 288,65, seguido de Bagre, no Pará, com R$ 358,65, e Manari, em Pernambuco, com R$ 359,10. Melgaço já havia registrado o pior Índice de Desenvolvimento Humano Municipal do Brasil, 0,418 pelo Censo 2010, e fica de fato na ilha do Marajó, acessível apenas por via fluvial, como ele disse. Marajá do Sena não está no Marajó, e a frase não afirma que esteja: é um município do interior do Maranhão, historicamente apontado como o de pior renda per capita do país. Nenhum dos dois é hoje o mais pobre pela medida oficial mais recente, mas os dois estão entre os trinta mais pobres.

Conferido na série do Censo 2022 pela API do SIDRA, com os 5.570 municípios ordenados, e não em reportagem ou no IDHM de 2010, que teria dezesseis anos de defasagem. O indicador escolhido muda a resposta de forma drástica: pela tabela 10289, que mede o rendimento médio de trabalho das pessoas ocupadas com rendimento, Marajá do Sena aparece em 97º lugar entre os mais baixos e Melgaço em 1.326º. Esse indicador é inadequado para medir pobreza justamente nesses lugares, porque só considera quem está ocupado e com rendimento, parcela pequena ali: em Marajá do Sena cerca de 2% dos moradores têm emprego formal. O indicador adequado à pergunta é o rendimento domiciliar per capita, que cobre toda a população residente, e é ele que sustenta o veredito. Os nomes vinham corrompidos na legenda automática, com a pronúncia truncada de «Marajá do Sena» e com «Melgasso», e foram restaurados entre colchetes.

O que ainda falta apurar: Os dois nomes de município foram restaurados a partir de legenda automática que escreveu «Melgasso», e nenhuma cobertura da sabatina os cita. A restauração se apoia na menção à ilha do Marajó na mesma frase, mas falta conferência no áudio.

Classificação automática: 1 fonte confirma contra 0 que refutam: verdade. Só fonte aprovada pela redação entra na contagem, e fonte de contexto não vota.

A evidência

Fontes que confirmam1

  • IBGE, SIDRA

    Censo Demográfico 2022, tabela 10295, rendimento nominal médio mensal domiciliar per capita por município: Marajá do Sena (MA) com R$ 425,87 em 9º lugar entre os mais baixos e Melgaço (PA) com R$ 476,85 em 30º, num total de 5.570 municípios; o menor é Uiramutã (RR), com R$ 288,65

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Fontes que refutam0

Nenhuma fonte aprovada refuta esta declaração.

Contexto, sem tomar lado3

  • IBGE, SIDRA

    Censo Demográfico 2022, tabela 10289, rendimento médio de trabalho das pessoas ocupadas com rendimento por município: indicador alternativo, em que Marajá do Sena aparece em 97º e Melgaço em 1.326º entre os mais baixos

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  • Projeto Colabora

    Marajá do Sena: a vida na cidade mais pobre do Brasil: 91% dos moradores vulneráveis à pobreza e cerca de 2% com emprego formal, o que explica por que o indicador de renda do trabalho é inadequado ali

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  • Diário do Pará

    IDH expõe abandono em que vive o Marajó: Melgaço com o pior IDHM do Brasil, 0,418 pelo Censo 2010, e acesso ao município somente por via fluvial

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Histórico

  1. 04/09/2026Criada pela redação.
  2. 04/09/2026Verificada pela redação.

SetorSocialAssistência, previdência, direitos trabalhistas, moradia, fome, desigualdade.

Fonte adicionada por leitor entra em análise antes de aparecer, e antes de contar para a classificação.