“Elas recebem 21% a menos que os homens pelos mesmos trabalhos.”
Escritor Augusto CuryAVANTEVerificado pela redação
- Dito em
- 23 de agosto de 2026
- Onde foi dito
- Debate da Band, primeiro turno
Eleições 2026 - Fonte primária
- Registro na íntegra (abre em nova aba)
Nesta ocasião13 mentiras de 71 checadas
O que recebeu o selo
O veredito recai sobre os 21% e sobre a cláusula «pelos mesmos trabalhos». A avaliação de que isso é vergonhoso é juízo e não recebe selo.
O que os dados mostram
O percentual confere e a base não é a que ele descreveu. O 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego em abril de 2026, aponta que as mulheres recebem em média 21,3% a menos que os homens nas empresas privadas com cem ou mais empregados, e o relatório anterior, de novembro de 2025, chegou ao mesmo patamar, com remuneração média de R$ 3.965,94 para elas e R$ 5.039,68 para eles. Essa é a diferença de rendimento médio no conjunto, e o próprio relatório adverte que ela não controla função, tempo de serviço, senioridade, jornada nem experiência, que é exatamente o que a expressão «pelos mesmos trabalhos» afirma. A diferença não some quando se olha por grupo ocupacional, e em vários aumenta: 26,9% entre dirigentes e gerentes, 31,8% entre profissionais de nível superior e 33,8% entre técnicos de nível médio, contra 19,5% nos serviços administrativos.
Formulação diferente da que ele usou na sabatina do Jornal Nacional de 29/08/2026. Lá a frase foi «as mulheres recebem 21% a menos que os homens», sem qualificação, e o veredito no acervo é verdade. Aqui ele acrescenta «pelos mesmos trabalhos», e é essa cláusula que muda o rótulo: o número existe, mas a base que o produz é o rendimento médio agregado, não a comparação de pessoas no mesmo posto. Denominador dos dois lados: o universo do relatório são as empresas privadas com cem ou mais empregados, e não o mercado de trabalho inteiro. O recorte por ocupação não salva a cláusula: nos quatro grandes grupos publicados a diferença vai de 19,5% a 33,8%. Isso não confirma a cláusula, porque grande grupo ocupacional ainda é longe de «o mesmo trabalho», mas mostra que o erro dele é de formulação e não de direção. O Ministério do Trabalho e Emprego não serve o relatório em página aberta, e por isso os valores entram pelas reportagens que os citam.
Sobreposição editorial
A redação classificou esta declaração à mão, sobrepondo a contagem de fontes. Os 21% conferem como diferença de rendimento médio entre mulheres e homens nas empresas com cem ou mais empregados, medida pelo Relatório de Transparência Salarial. O que não confere é «pelos mesmos trabalhos»: o indicador não controla função, jornada, senioridade nem tempo de casa.
A evidência
Fontes que confirmam2
Forbes Brasil
Desigualdade salarial: mulheres ganham 21,3% a menos que homens no setor privado, abril de 2026: 5º Relatório de Transparência Salarial, empresas com cem ou mais empregados; o indicador não controla função, jornada nem tempo de serviço
Agência Brasil
Relatório do MTE mostra que mulheres recebem 21% menos que homens: quarto Relatório de Transparência Salarial, novembro de 2025
Fontes que refutam0
Nenhuma fonte aprovada refuta esta declaração.
Contexto, sem tomar lado1
Ministério do Trabalho e Emprego
5º Relatório de Transparência Salarial aponta crescimento de 11% de mulheres no mercado de trabalho: página renderizada por JavaScript, devolve «Conteúdo Restrito» na requisição simples
Histórico
- 04/09/2026Criada pela redação.
- 04/09/2026Verificada pela redação.
- 06/09/2026Reclassificada à mão para impreciso, sobrepondo a contagem de fontes.
SetorSocialAssistência, previdência, direitos trabalhistas, moradia, fome, desigualdade.
Fonte adicionada por leitor entra em análise antes de aparecer, e antes de contar para a classificação.