“Paraisópolis tem um misto, mas Paraisópolis tem uma parte importante plana. O próprio governo estadual já tá fazendo um trabalho de desfavelização ali, entendendo que haverá interesse econômico, porque é uma área nobre.”
Renan SantosMISSÃOVerificado pela redação
- Dito em
- 4 de agosto de 2026
- Fonte primária
- Registro na íntegra (abre em nova aba)
Nesta ocasião5 mentiras de 28 checadas
O que recebeu o selo
O veredito recai sobre a atribuição ao governo estadual do trabalho de desfavelização em Paraisópolis. A descrição do terreno e a expectativa de interesse econômico privado não foram classificadas.
O que os dados mostram
Há trabalho em Paraisópolis, e o ente principal é outro. A grande intervenção urbanística em curso é municipal: em 6 de janeiro de 2026 a Prefeitura de São Paulo apresentou o plano integrado para Paraisópolis com recursos da Operação Urbana Consorciada Faria Lima, ampliada pela Lei Municipal 18.175/2024, e financiada pelos R$ 1,6 bilhão arrecadados no leilão de CEPACs de agosto de 2025; o edital do Programa Nova Paraisópolis, de cerca de R$ 2,33 bilhões, foi lançado pela Secretaria Municipal de Urbanismo e pela São Paulo Urbanismo em 18 de agosto de 2026, duas semanas depois desta sabatina. O governo do estado entra como parceiro, não como executor: em 11 de maio de 2026, no lançamento do programa municipal de regularização fundiária de 364 mil famílias, com R$ 682 milhões, o Estado apareceu pelo programa Casa Paulista, que regularizou mais de 150 mil imóveis no estado, 45 mil na capital, e Paraisópolis, com 19.303 domicílios, é o núcleo com mais moradias contempladas. O Estado também tem histórico próprio ali: a CDHU firmou convênio com a prefeitura em 2006, de cerca de R$ 370 milhões, e entregou conjuntos habitacionais na comunidade.
O Estado tem obra própria em Paraisópolis: a CDHU construiu e entregou apartamentos na comunidade, e o programa estadual Casa Paulista assina a regularização fundiária que alcança os 19.303 domicílios do núcleo. Nessa leitura o ator não foi inventado. O que não se sustenta é o protagonismo: o plano urbanístico, o dinheiro e a execução são municipais, e vêm de um instrumento municipal, a Operação Urbana Faria Lima. O recorte de tempo importa aqui: o edital de R$ 2,33 bilhões saiu em 18 de agosto de 2026, depois da fala, e por isso não descreve o que existia em 4 de agosto. O que existia era o plano integrado apresentado em janeiro de 2026 e o programa de regularização lançado em maio de 2026, os dois municipais, com o Estado como parceiro. A leitura da geografia que ele faz não recebeu veredito e é coerente com o material da própria prefeitura, que divide a intervenção entre áreas planas e de encosta. Todas as fontes vêm dos órgãos executores, prefeitura e governo estadual, e não de reportagem sobre eles. O contrato do Nova Paraisópolis é posterior à fala e o convênio de 2006 com a CDHU não está publicado em texto integral no sítio municipal.
O que ainda falta apurar: A única transcrição pública desta passagem é a legenda automática do YouTube, gerada por máquina e sem revisão, e nenhuma reportagem sobre a sabatina reproduz o trecho.
Sobreposição editorial
A redação classificou esta declaração à mão, sobrepondo a contagem de fontes. O governo do estado de São Paulo participa de Paraisópolis, pelo programa Casa Paulista na regularização fundiária e pelo histórico da CDHU, e nesse ponto ele acerta. Mas a intervenção urbanística em curso é municipal: plano integrado apresentado pela Prefeitura em janeiro de 2026, recursos da Operação Urbana Consorciada Faria Lima e edital de R$ 2,33 bilhões lançado pela Secretaria Municipal de Urbanismo.
A evidência
Fontes que confirmam2
Prefeitura de São Paulo
Paraisópolis recebe 112 novos apartamentos da CDHU: obra habitacional do governo estadual na comunidade
Prefeitura de São Paulo · 11/05/2026
Prefeitura lança programa de regularização que beneficia 364 mil famílias, 11 de maio de 2026: R$ 682 milhões, 930 núcleos, participação do Estado pelo programa Casa Paulista e Paraisópolis como núcleo com mais domicílios, 19.303
Fontes que refutam1
Prefeitura de São Paulo · 06/01/2026
Prefeitura apresenta plano integrado para transformar Paraisópolis com recursos da Operação Urbana Faria Lima, 6 de janeiro de 2026: execução municipal e R$ 1,6 bilhão do leilão de CEPACs, sem menção ao governo estadual
Contexto, sem tomar lado2
Prefeitura de São Paulo
Parceria Sehab e CDHU beneficia mais de 17 mil famílias: convênios de 2006 entre a prefeitura e a companhia estadual, de cerca de R$ 370 milhões, com unidades no complexo de Paraisópolis
Prefeitura de São Paulo · 18/08/2026
Prefeitura lança edital do Programa Nova Paraisópolis, 18 de agosto de 2026: cerca de R$ 2,33 bilhões, execução da Secretaria Municipal de Urbanismo e da São Paulo Urbanismo (data posterior à sabatina)
Histórico
- 04/09/2026Criada pela redação.
- 04/09/2026Verificada pela redação.
- 06/09/2026Reclassificada à mão para impreciso, sobrepondo a contagem de fontes.
SetorSocialAssistência, previdência, direitos trabalhistas, moradia, fome, desigualdade.
Fonte adicionada por leitor entra em análise antes de aparecer, e antes de contar para a classificação.