“A gente não precisa de uma justiça que custa 24 bilhões por ano para ficar com um monte de juiz que também recebe super salário.”
Renan SantosMISSÃOVerificado pela redação
- Dito em
- 17 de agosto de 2026
- Fonte primária
- Registro na íntegra (abre em nova aba)
Nesta ocasião0 mentiras de 36 checadas
O que recebeu o selo
O veredito recai sobre o custo anual da Justiça do Trabalho. A crítica aos supersalários é objeto de outra checagem deste dossiê, e a proposta de extinguir o ramo é compromisso de governo.
O que os dados mostram
O número é da ordem certa e corresponde à penúltima medição da série. Pelo relatório Justiça em Números 2025 do Conselho Nacional de Justiça, com dados de 2024, as despesas totais da Justiça do Trabalho somaram R$ 25,5 bilhões, alta de 5,9% sobre o ano anterior; em 2023 a mesma série, corrigida pelo IPCA, registra R$ 24,1 bilhões, praticamente o valor que ele citou. O plano de governo do próprio candidato usa «cerca de R$ 23 bilhões anuais», e o número que ele deu na sabatina fica entre o do seu programa e o da última medição oficial. Dois dados da mesma fonte mudam o alcance do argumento, que é redirecionar esse orçamento para desonerar a folha de pagamento. Primeiro, 26,1% da despesa é gasto com inativos, ou seja, aposentadorias e pensões, que não desaparecem com a extinção do ramo: descontados os inativos, o custo de funcionamento efetivo da Justiça do Trabalho é de R$ 18,9 bilhões. Segundo, a atividade jurisdicional trabalhista arrecadou R$ 7,19 bilhões em 2024, retorno de 28% sobre a despesa, dos quais R$ 4,9 bilhões de execução previdenciária. O custo por habitante foi de R$ 120,17 em 2024, e o ramo, que responde por 6% dos processos em tramitação, concentra cerca de 17% da despesa total do Poder Judiciário.
Conferido na Figura 141 do PDF do Justiça em Números 2025, com a série de 2009 a 2024 deflacionada pelo IPCA, e não em reportagem sobre o relatório: é a série inteira que traz os dois dados ausentes do argumento, o peso dos inativos e a arrecadação de R$ 7,19 bilhões. Contra a última medição publicada, R$ 25,5 bilhões de 2024, divulgada em novembro de 2025 e portanto disponível havia nove meses quando ele falou, o número dele fica 5,9% abaixo, e coincide com o exercício anterior da mesma série; o erro é para baixo, ou seja, subestima o orçamento que ele quer redirecionar. O número não foi improvisado no ar: a página de propostas do candidato fala em «cerca de R$ 23 bilhões anuais» e traz a citação «são 23, 24 bilhões por ano que eu economizaria acabando com a justiça do trabalho», o que também confirma a transcrição da legenda automática.
Classificação automática: 1 fonte confirma contra 0 que refutam: verdade. Só fonte aprovada pela redação entra na contagem, e fonte de contexto não vota.
A evidência
Fontes que confirmam1
Conselho Nacional de Justiça
Justiça em Números 2025 (ano-base 2024, publicado em novembro de 2025), Figura 141 e seção 2.6.3: despesas totais da Justiça do Trabalho de R$ 25,5 bilhões em 2024 e R$ 24,1 bilhões em 2023, 26,1% com inativos, R$ 18,9 bilhões sem inativos, arrecadação de R$ 7,19 bilhões e custo de R$ 120,17 por habitante
Fontes que refutam0
Nenhuma fonte aprovada refuta esta declaração.
Contexto, sem tomar lado1
Renan Santos, plano de governo
As regras de trabalho que o mundo novo exige, página de propostas do candidato: «extinção da Justiça do Trabalho, canalizando seu orçamento de cerca de R$ 23 bilhões anuais», com a citação «são 23, 24 bilhões por ano»
Histórico
- 04/09/2026Criada pela redação.
- 04/09/2026Verificada pela redação.
SetorInstituiçõesJudiciário, Congresso, eleições, corrupção, liberdade de imprensa, Forças Armadas.
Fonte adicionada por leitor entra em análise antes de aparecer, e antes de contar para a classificação.