“A maior parte das pessoas que morrem nas mãos do crime organizado, em geral são rapazes negros, pardos, em geral de bairros periféricos e regiões pobres do Brasil. As estatísticas mostram isso.”
Renan SantosMISSÃOVerificado pela redação
- Dito em
- 17 de agosto de 2026
- Fonte primária
- Registro na íntegra (abre em nova aba)
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O que recebeu o selo
O veredito recai sobre o perfil demográfico das vítimas de morte violenta no Brasil. Não recai sobre a atribuição dessas mortes ao crime organizado, que nenhuma base nacional mede.
O que os dados mostram
As estatísticas mostram, e por margem larga. No Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026, com dados de 2025, o Brasil registrou 40.775 mortes violentas intencionais, e o perfil das vítimas é: 90,8% homens, 79,7% pessoas negras (pretas e pardas) e 41,6% jovens de 18 a 29 anos, com o pico na faixa de 18 a 24 anos. No corte de homicídio doloso isoladamente, 32.914 casos em 2025, a proporção de vítimas negras é de 79,9%, e nas mortes decorrentes de intervenção policial chega a 82,0%. Como referência de comparação, pretos e pardos são 55,5% da população do país pelo Censo 2022, de modo que a sobrerrepresentação é de cerca de 24 pontos percentuais. O que a série não tem é o recorte que ele usou na frase: nenhuma base nacional classifica a morte violenta pela autoria, e portanto não existe estatística de quem morre «nas mãos do crime organizado» separada de quem morre em conflito interpessoal, latrocínio ou ação policial. O perfil que ele descreveu é o perfil do conjunto das mortes violentas, não de um subconjunto atribuído às facções.
Conferido nos gráficos 04, 05 e 06 do PDF da edição de 2026 do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, com dados de 2025, publicada em julho de 2026, um mês antes da sabatina, e não em reportagem sobre eles. Nenhuma categoria de morte violenta inverte o perfil: as duas com menor proporção de vítimas negras são lesão corporal seguida de morte, com 68,6%, e latrocínio, com 62,8%, ambas acima da participação populacional e nenhuma perto do volume do homicídio doloso. No recorte etário, 41,6% das vítimas de mortes violentas intencionais têm de 18 a 29 anos, com pico entre 18 e 24 e participação relevante até os 34. A defasagem entre o dado e a fala é de sete meses, contados do fechamento do ano de referência.
Classificação automática: 1 fonte confirma contra 0 que refutam: verdade. Só fonte aprovada pela redação entra na contagem, e fonte de contexto não vota.
A evidência
Fontes que confirmam1
Fórum Brasileiro de Segurança Pública
Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 (dados de 2025, publicado em julho de 2026), pp. 31 e 42 e gráficos 04, 05 e 06: 40.775 mortes violentas intencionais, 90,8% homens, 79,7% negros, 41,6% de 18 a 29 anos; 32.914 homicídios dolosos, com 79,9% de vítimas negras
Fontes que refutam0
Nenhuma fonte aprovada refuta esta declaração.
Contexto, sem tomar lado1
IBGE, SIDRA
Censo Demográfico 2022, tabela 9605, população residente por cor ou raça: base de comparação para a participação de pretos e pardos no total do país, cerca de 55,5%
Histórico
- 04/09/2026Criada pela redação.
- 04/09/2026Verificada pela redação.
SetorSegurança públicaCrime, polícia, homicídios, facções, armas, violência doméstica e feminicídio.
Fonte adicionada por leitor entra em análise antes de aparecer, e antes de contar para a classificação.