“Como foi o governo Lula 2, por exemplo, que com o petrolão ele estabeleceu uma maioria pra PEC e não passava PEC nenhuma que importava. Nenhuma reforma foi feita aquela época.”
Renan SantosMISSÃOVerificado pela redação
- Dito em
- 4 de agosto de 2026
- Fonte primária
- Registro na íntegra (abre em nova aba)
Nesta ocasião5 mentiras de 28 checadas
O que recebeu o selo
O veredito recai sobre «nenhuma reforma foi feita àquela época», referida ao segundo mandato de Lula (2007 a 2010). A atribuição da maioria parlamentar ao petrolão e o juízo sobre quais PECs importavam não foram classificados.
O que os dados mostram
Depende do que se conta como reforma, e nas duas leituras o resumo é diferente. Se o critério for reforma estrutural do tipo que ele defende (previdência, tributária, administrativa, trabalhista), nenhuma foi aprovada entre 2007 e 2010, e ele está certo. Se o critério for emenda constitucional relevante, o segundo mandato aprovou pelo menos duas: a Emenda Constitucional 59, de 11 de novembro de 2009, que tornou obrigatória a educação básica dos 4 aos 17 anos e acabou com a incidência da Desvinculação de Receitas da União sobre os recursos da educação, e a Emenda Constitucional 62, de 9 de dezembro de 2009, que criou o regime especial de pagamento de precatórios de estados e municípios, depois declarada parcialmente inconstitucional pelo Supremo em 2013. A Emenda 59 mexe exatamente na vinculação orçamentária que ele quer desfazer, e no sentido oposto ao dele.
Há uma leitura sob a qual ele está inteiramente certo, e é a corrente: no vocabulário de política econômica, «reforma» designa previdência, tributária, administrativa e trabalhista, e nenhuma delas foi aprovada entre 2007 e 2010. A reforma da previdência daquele ciclo de governo é de 2003, no primeiro mandato, e a tributária só sairia em 2023: a PEC 233/2008, que o governo Lula apresentou em fevereiro de 2008, ficou parada e foi arquivada em dezembro de 2024. É essa leitura que impede o veredito de falso. O recorte de tempo, que é onde esse tipo de frase costuma escorregar, também fecha: ele diz «Lula 2», e as duas emendas citadas são de novembro e dezembro de 2009, dentro do segundo mandato. Não há empréstimo de fato do primeiro mandato para sustentar a refutação. A atribuição de causa («com o petrolão ele estabeleceu uma maioria pra PEC») não foi classificada: é tese sobre o mecanismo de formação da base, o esquema que ficou conhecido por esse nome foi revelado em 2014 e apurado sobre fatos de 2004 a 2014, e nenhuma decisão judicial estabelece a relação entre ele e votações de PEC no período. «PEC nenhuma que importava» também não recebe veredito, porque «que importava» é juízo. As duas emendas vêm do texto no Planalto. A fala só existe na legenda automática, com marca de tempo em 17:54, e nenhuma reportagem sobre a sabatina cita a passagem.
O que ainda falta apurar: A única transcrição pública desta passagem é a legenda automática do YouTube, gerada por máquina e sem revisão, e nenhuma reportagem sobre a sabatina reproduz o trecho.
Sobreposição editorial
A redação classificou esta declaração à mão, sobrepondo a contagem de fontes. No sentido estrito de reforma estrutural (previdência, tributária, administrativa, trabalhista), ele está certo: nenhuma foi aprovada entre 2007 e 2010. No sentido de emenda constitucional relevante, está errado: a Emenda 59, de 2009, tornou obrigatória a educação básica dos 4 aos 17 anos e desvinculou a educação da DRU, e a Emenda 62, do mesmo ano, refez o regime de precatórios.
A evidência
Fontes que confirmam2
Câmara dos Deputados
PEC 233/2008, reforma tributária apresentada pelo governo Lula em 28 de fevereiro de 2008: situação «Arquivada», nunca aprovada (ficha de tramitação na API de dados abertos da Câmara)
Câmara dos Deputados
Ficha de tramitação da PEC 233/2008 na Câmara dos Deputados: desapensada e arquivada em 19 de dezembro de 2024, sem aprovação
Fontes que refutam2
Presidência da República · 11/11/2009
Emenda Constitucional nº 59, de 11 de novembro de 2009: educação básica obrigatória dos 4 aos 17 anos e fim da DRU sobre recursos da educação
Presidência da República · 09/12/2009
Emenda Constitucional nº 62, de 9 de dezembro de 2009: regime especial de pagamento de precatórios
Contexto, sem tomar lado1
Dizer o Direito
Inconstitucionalidade parcial da EC 62/2009, ADI 4357 e ADI 4425: o Supremo derrubou parte do regime especial de precatórios em 2013
Histórico
- 04/09/2026Criada pela redação.
- 04/09/2026Verificada pela redação.
- 06/09/2026Reclassificada à mão para impreciso, sobrepondo a contagem de fontes.
SetorInstituiçõesJudiciário, Congresso, eleições, corrupção, liberdade de imprensa, Forças Armadas.
Fonte adicionada por leitor entra em análise antes de aparecer, e antes de contar para a classificação.