“Minas Gerais proporcionalmente a dívida está caindo. Quando eu assumi era 199% da receita. Quando eu saí menos de 170, ou seja, ao longo do tempo ela vai ser paga.”
ZemaNOVOVerificado pela redação
- Dito em
- 19 de agosto de 2026
- Fonte primária
- Registro na íntegra (abre em nova aba)
Nesta ocasião4 mentiras de 37 checadas
O que recebeu o selo
Os dois percentuais e a afirmação de que a relação entre dívida e receita caiu no governo dele. A conclusão de que a dívida «vai ser paga ao longo do tempo» é projeção e não recebe veredito.
O que os dados mostram
A queda existe, o número da saída bate e o número da posse não bate. Na série do Relatório de Gestão Fiscal que o próprio Estado envia ao Tesouro Nacional, a dívida consolidada líquida de Minas equivalia a 189,03% da receita corrente líquida no fim de 2018, o exercício encerrado quando ele tomou posse, e a 167,46% no fim de 2025, o último quadrimestre fechado antes de ele renunciar, em 22 de março de 2026. Os 167,46% são «menos de 170», como ele disse. Os 199% não correspondem a nenhuma leitura da data em que assumiu: pela dívida consolidada bruta o indicador era 202,00% no fim de 2018 e ainda 191,10% no fim de 2025, ou seja, nessa régua a queda é de 11 pontos e o valor final não fica abaixo de 170. Em valor nominal a dívida consolidada subiu de R$ 113,8 bilhões para R$ 213,5 bilhões no período, e a receita corrente líquida quase dobrou, de R$ 56,3 bilhões para R$ 111,7 bilhões, que é o que faz a proporção cair.
Conferido na API do Siconfi, que devolve o Anexo 02 do Relatório de Gestão Fiscal do Executivo mineiro quadrimestre a quadrimestre, e não na estimativa que circulava na imprensa, de queda de 189% para 158%. Nenhuma das duas operações possíveis produz o par 199% e menos de 170%: a dívida consolidada bruta sobre a receita acerta o começo (202%) e erra o fim (191,10%), e a líquida sobre a receita acerta o fim (167,46%) e erra o começo (189,03%). Os 199% existem na série, em outras datas: a líquida sobre a receita foi 199,90% no fim de 2016, dois anos antes da posse dele, e a bruta foi 199,61% no fim de 2020, o segundo ano de governo. O quadrimestre mais recente publicado na data da sabatina era o primeiro de 2026, com 189,78% na bruta e 157,45% na líquida, apurado em abril de 2026, quatro meses antes da fala.
O que ainda falta apurar: O «199%» só existe na legenda automática do YouTube, que é a única transcrição desta passagem, e nenhuma série produz esse valor na data em que ele assumiu. Se ele tiver dito «189%», o par estaria exato pela dívida consolidada líquida e o veredito seria verdade.
Sobreposição editorial
A redação classificou esta declaração à mão, sobrepondo a contagem de fontes. A relação entre dívida e receita caiu de fato, e os «menos de 170» batem com os 167,46% da dívida consolidada líquida no fim de 2025, mas os 199% da posse não saem de nenhuma das duas séries, que registram 189,03% e 202,00% no fim de 2018.
A evidência
Fontes que confirmam1
Tesouro Nacional, API do Siconfi
Relatório de Gestão Fiscal, Anexo 02, Minas Gerais, 3º quadrimestre de 2025: dívida consolidada líquida em 167,46% da receita corrente líquida e dívida consolidada em 191,10%
Fontes que refutam1
Tesouro Nacional, API do Siconfi
Relatório de Gestão Fiscal, Anexo 02, Minas Gerais, 3º quadrimestre de 2018: dívida consolidada líquida em 189,03% da receita corrente líquida e dívida consolidada em 202,00%
Contexto, sem tomar lado2
Tesouro Nacional, API do Siconfi
Relatório de Gestão Fiscal, Anexo 02, Minas Gerais, 1º quadrimestre de 2026: dívida consolidada líquida em 157,45% da receita corrente líquida
Poder360
Zema renuncia ao governo de MG para disputar presidência; Simões assume: fixa 22 de março de 2026 como a data em que ele saiu
Histórico
- 04/09/2026Criada pela redação.
- 04/09/2026Verificada pela redação.
- 06/09/2026Reclassificada à mão para impreciso, sobrepondo a contagem de fontes.
SetorEconomiaInflação, emprego, renda, juros, câmbio, tributos, contas públicas, crescimento.
Fonte adicionada por leitor entra em análise antes de aparecer, e antes de contar para a classificação.