“Uma criança nasce no Brasil, nasce devendo R$ 50.000, pagando no mínimo 20% de juros ao ano, 14% da taxa Selic, mais o spread de 5 a 6%.”
Escritor Augusto CuryAVANTEVerificado pela redação
- Dito em
- 23 de agosto de 2026
- Onde foi dito
- Debate da Band, primeiro turno
Eleições 2026 - Fonte primária
- Registro na íntegra (abre em nova aba)
Nesta ocasião13 mentiras de 71 checadas
O que recebeu o selo
O veredito recai sobre os R$ 50.000 por pessoa, sobre a Selic de 14% e sobre os 20% de juros ao ano atribuídos a essa dívida. A imagem de que a criança «nasce devendo» é figura de linguagem, e a tese sobre corrupção não recebe selo.
O que os dados mostram
Os dois primeiros números conferem e o terceiro não. A Dívida Bruta do Governo Geral estava em R$ 10,809 trilhões em junho de 2026 e R$ 10,947 trilhões em julho, pela série 13761 do Banco Central. Dividida pela população que o IBGE estima para 2026, 214.211.951 pessoas, dá R$ 50.462 por habitante, e pela de 2025, 213.421.037, dá R$ 50.649. A Selic também está exata: a meta fixada pelo Copom estava em 14,00% ao ano no dia do debate, 23 de agosto de 2026, tendo caído de 14,25% em 6 de agosto. O que não se sustenta é o custo de 20% ao ano: o custo médio acumulado em doze meses do estoque da Dívida Pública Federal era de 12,31% ao ano em maio de 2026, pelo Relatório Mensal da Dívida do Tesouro Nacional, abaixo da própria Selic, porque parte do estoque é prefixada e parte é indexada à inflação. Spread de 5 a 6 pontos sobre a Selic é conceito de crédito privado e não descreve o custo da dívida soberana.
Formulação diferente da que ele usou na sabatina do Jornal Nacional de 29/08/2026, seis dias depois, onde disse apenas «cada criança e adolescente nasce devendo pelo menos R$ 50.000» e o veredito no acervo é impreciso. Aqui ele acrescenta a aritmética dos juros, e é ela que amplia o defeito: o valor por habitante continua conferindo, a Selic passou a conferir exatamente, e a conta de 20% ao ano não se aplica ao passivo de que ele fala. Nenhuma série salva os 20%. A Dívida Líquida do Setor Público era de R$ 9,034 trilhões em junho de 2026, o que daria R$ 42,2 mil por habitante e não sustentaria os R$ 50 mil, mas a medida citada no bloco é a bruta. Para o custo, nem a Selic acumulada (14,00%) nem o custo médio da DPF (12,31%) chegam a 20%, e a soma «Selic mais spread» não existe como categoria na contabilidade da dívida pública. O custo médio vem do Relatório Mensal da Dívida do Tesouro, e a Selic da série 432 do Banco Central, com valor por dia, e não da média mensal. Atribuição confirmada pela cobertura da própria Band, com a frase transcrita.
Sobreposição editorial
A redação classificou esta declaração à mão, sobrepondo a contagem de fontes. O valor por habitante confere (R$ 50,5 mil em junho de 2026) e a Selic de 14% estava exata no dia do debate. O que não confere é o custo de 20% ao ano: o custo médio do estoque da Dívida Pública Federal era de 12,31% ao ano, e «Selic mais spread» não é como a dívida soberana se remunera.
A evidência
Fontes que confirmam3
Banco Central do Brasil
SGS 13761, Dívida Bruta do Governo Geral, saldos em R$ milhões: R$ 10.809.475,19 milhões em junho de 2026 e R$ 10.946.725,80 milhões em julho
IBGE
SIDRA tabela 6579, Estimativas da População: 213.421.037 residentes em 2025 e 214.211.951 em 2026
Banco Central do Brasil
SGS 432, meta para a Selic definida pelo Copom, valor por dia: 14,25% até 5 de agosto de 2026 e 14,00% ao ano de 6 de agosto em diante, inclusive em 23 de agosto
Fontes que refutam1
Tesouro Nacional
Estatísticas e Relatórios da Dívida Pública Federal, Relatório Mensal da Dívida: custo médio acumulado em doze meses do estoque da DPF de 12,31% ao ano em maio de 2026, contra 12,22% em abril
Contexto, sem tomar lado1
Band · 23/08/2026
Eleições 2026: os destaques de Augusto Cury no 1º debate presidencial: transcrição literal de «uma criança já nasce no Brasil devendo R$ 50 mil, pagando no mínimo 20% de juros ao ano: 14% da taxa Selic, mais o spread de 5% a 6%»
Histórico
- 04/09/2026Criada pela redação.
- 04/09/2026Verificada pela redação.
- 06/09/2026Reclassificada à mão para impreciso, sobrepondo a contagem de fontes.
SetorEconomiaInflação, emprego, renda, juros, câmbio, tributos, contas públicas, crescimento.
Fonte adicionada por leitor entra em análise antes de aparecer, e antes de contar para a classificação.