Pular para o conteúdo
Dados em Painel
Verdade

“Hoje está o Kim Kataguiri no Estadão falando que vai reduzir a quantidade de emendas, de dinheiro das despesas discricionárias destinadas às emendas, a 5%. Eu fui ver, hoje é 25%.”

Retrato de Renan SantosRenan SantosMISSÃOVerificado pela redação

Dito em
27 de agosto de 2026

Nesta ocasião7 mentiras de 44 checadas

O que os dados mostram

Verdade. O número dele é reproduzível na fonte primária do próprio mês da sabatina. O Relatório de Acompanhamento Fiscal nº 115 da Instituição Fiscal Independente do Senado, publicado em 20 de agosto de 2026, traz na Tabela 5, extraída do Decreto nº 12.846/2026, Anexos VIII e XVII, alterado pelo Decreto nº 13.085/2026, os limites de pagamento de despesas discricionárias de 2026: R$ 180,5 bilhões em despesas discricionárias RP2/RP3 por órgão, R$ 26,6 bilhões em emendas individuais (RP6), R$ 8,7 bilhões em emendas de bancada estadual (RP7) e R$ 9,7 bilhões em emendas de comissão (RP8), somando R$ 225,5 bilhões. As emendas totalizam R$ 45,0 bilhões, o que equivale a 24,93% dos R$ 180,5 bilhões de discricionária dos órgãos, os 25% que ele citou, com diferença de sete centésimos de ponto. A mesma cifra é usada oficialmente pelo ministro Flávio Dino, do STF, que falou em cerca de R$ 50 bilhões, ou 25% das despesas não obrigatórias, em audiência pública sobre emendas. Sobre a parte atribuída a terceiro (que Kim Kataguiri proporia reduzir esse percentual a 5%), permanece não apurada: a matéria do Estadão de 21/08/2026, de Daniel Weterman, é comparativa entre presidenciáveis, está em paywall e o trecho aberto não menciona Kataguiri nem o patamar de 5%. Na PEC do Equilíbrio Fiscal que ele coassina, de novembro de 2024, o total de emendas passaria a ser percentual das despesas primárias discricionárias do Executivo, desvinculado da receita corrente líquida, mas o percentual é remetido a lei complementar e não aparece fixado em 5%. Uma ressalva que o número exige: os 25% dependem de qual denominador se usa. Sobre os R$ 180,5 bilhões de discricionária dos órgãos, os R$ 45,0 bilhões de emendas dão 24,93%. Sobre a discricionária total de R$ 225,5 bilhões (que inclui as próprias emendas), os mesmos R$ 45,0 bilhões dão 19,96%. As duas contas estão certas e medem coisas diferentes; ele usou a primeira.

O leitor precisa saber que este é um número dependente de base, e que essa dependência não é falha de ninguém: é estrutura do orçamento. Refiz as quatro contas sobre a mesma Tabela 5 da IFI para 2026: emendas totais (R$ 45,0 bi) sobre discricionária dos órgãos RP2/RP3 (R$ 180,5 bi) dá 24,9%; emendas totais sobre o conjunto que já inclui as emendas (R$ 225,5 bi) dá 20,0%; só as impositivas RP6+RP7 (R$ 35,3 bi) sobre R$ 180,5 bi dá 19,6%; e as impositivas sobre R$ 225,5 bi dá 15,7%. A faixa defensável, portanto, vai de cerca de 16% a cerca de 25%, e cada ponta corresponde a uma pergunta diferente. Os 25% dele respondem à pergunta mais direta que a frase formula: quanto de dinheiro de emenda existe para cada real de discricionária que os órgãos administram. Os 20% do Estadão respondem a outra: que fatia do bolo livre total as emendas ocupam. As duas estão certas. É por isso que o 'um quinto' do jornal não pode ser usado para desmentir os 25%: as duas frações medem coisas diferentes. Contexto adicional relevante do mesmo relatório: a IFI registra que a antecipação de 65% das emendas individuais e de bancada no primeiro semestre de 2026, prevista no §21 do art. 72 da LDO 2026, pressionou o caixa e ajudou a produzir aumento real de 44,5% nas discricionárias no acumulado do ano; e que o estoque de restos a pagar de emendas de bancada (RP7) e de comissão (RP8) já supera integralmente o limite de pagamento autorizado para 2026 (124,3% e 123,6% respectivamente), de modo que, tecnicamente, não há caixa para pagá-los. A comparação internacional que circula no debate, de que emendas não passariam de 1% em outros países, fica fora do veredito.

Classificação automática: 3 fontes confirmam contra 0 que refutam: verdade. Só fonte aprovada pela redação entra na contagem, e fonte de contexto não vota.

A evidência

Fontes que confirmam3

  • Agência Câmara de Notícias

    Câmara e Senado defendem emendas parlamentares ao Orçamento em audiência no STF: ministro Flávio Dino cita cerca de R$ 50 bi, ou 25% das despesas não obrigatórias

    Abrir (abre em nova aba)

  • INESC (Instituto de Estudos Socioeconômicos)

    Relatório revela 'parlamentarismo orçamentário': emendas foram 27% das discricionárias em 2024, com R$ 40,89 bi (2025)

    Abrir (abre em nova aba)

  • Instituição Fiscal Independente, Senado Federal · 20/08/2026

    Relatório de Acompanhamento Fiscal nº 115, Tabela 5: limite de pagamento de despesas discricionárias em 2026 (RP2/RP3 R$ 180,5 bi; RP6 R$ 26,6 bi; RP7 R$ 8,7 bi; RP8 R$ 9,7 bi; total R$ 225,5 bi)

    Abrir (abre em nova aba)

Fontes que refutam0

Nenhuma fonte aprovada refuta esta declaração.

Contexto, sem tomar lado6

  • Consultoria de Orçamento e Fiscalização Financeira / Câmara dos Deputados

    Estudo Técnico 04/2025, Projeções fiscais e orçamentárias: o desafio das despesas discricionárias (16,9% usando numerador restrito a emendas impositivas) (fevereiro de 2025)

    Abrir (abre em nova aba)

  • Gazeta do Povo

    Deputados propõem PEC do Equilíbrio Fiscal: emendas atreladas a percentual das discricionárias, percentual remetido a lei complementar (novembro de 2024)

    Abrir (abre em nova aba)

  • Senado Federal

    Siga Brasil, Portal do Orçamento

    Abrir (abre em nova aba)

  • FGV IBRE, Carta de Conjuntura

    Aumento de emendas sinaliza necessidade de nova cultura orçamentária: 3,95% em 2014, pico de 28,78% em 2020, 20,03% em 2024

    Abrir (abre em nova aba)

  • Agência Câmara de Notícias

    Congresso Nacional aprova Orçamento de 2026 com R$ 6,5 trilhões em despesas (dezembro de 2025)

    Abrir (abre em nova aba)

  • Estadão (via Central das Emendas) · 21/08/2026

    Emendas parlamentares: o que os candidatos a presidente propõem, 'quase R$ 50 bilhões e um quinto do Orçamento livre da União'

    Abrir (abre em nova aba)

Histórico

  1. 27/08/2026Criada pela redação.
  2. 27/08/2026Verificada pela redação.

SetorInstituiçõesJudiciário, Congresso, eleições, corrupção, liberdade de imprensa, Forças Armadas.

Fonte adicionada por leitor entra em análise antes de aparecer, e antes de contar para a classificação.