“Para que o governo americano não tarifasse mais as empresas brasileiras, que já são as mais tarifadas do mundo pelo próprio governo Lula. As empresas brasileiras não têm capacidade de pagar mais impostos.”
Flavio BolsonaroPLVerificado pela redação
- Dito em
- 28 de agosto de 2026
- Fonte primária
- Registro na íntegra (abre em nova aba)
Nesta ocasião16 mentiras de 41 checadas
O que recebeu o selo
A afirmação de que as empresas brasileiras são as mais tributadas do mundo pelo governo atual. O juízo sobre a capacidade de pagamento das empresas não recebe veredito.
O que os dados mostram
Nenhum dos indicadores usuais coloca o Brasil em primeiro. O indicador principal é a carga tributária bruta do governo geral em proporção do PIB, porque é o que o próprio Tesouro Nacional publica e o que permite comparação internacional direta: 32,40% do PIB em 2025, o maior valor da série iniciada em 2010, mas abaixo da média da OCDE, de cerca de 34,06%, e muito abaixo de França e Dinamarca, que passam de 43%. O indicador alternativo, a alíquota nominal de tributação do lucro das empresas, dá o mesmo resultado: no Brasil ela soma 34%, entre as mais altas, mas não a mais alta, com Colômbia e Malta em 35%. Nas duas réguas a afirmação cai. O terceiro termo da frase também não se sustenta: a carga não foi criada no atual governo, já estava em 32,4% do PIB no início da série mais recente e subiu 2,06 pontos em 2024 sobre 2023.
O indicador foi escolhido antes da comparação e o alternativo está publicado ao lado dele, para que a comparação não vire escolha de resultado: os dois descritos no resumo refutam a frase. A leitura literal da palavra tarifadas, isto é, imposto de importação, refuta ainda mais: a alíquota média efetivamente aplicada pelo Brasil sobre produtos dos Estados Unidos foi de 3,1% em 2025, com 76% das importações entrando sem imposto, e a tarifa média aplicada pelo país fica em torno de 11% a 12%, contra um teto consolidado de 31% na OMC. O percentual e a metodologia, a do manual de estatísticas fiscais do FMI, estão no boletim de carga tributária do próprio Tesouro Nacional. Defasagem declarada: o dado de carga tributária mais recente é o de 2025, divulgado em abril de 2026, quatro meses antes da fala.
Classificação automática: 0 fontes confirmam contra 2 que refutam: falso. Só fonte aprovada pela redação entra na contagem, e fonte de contexto não vota.
A evidência
Fontes que confirmam0
Nenhuma fonte aprovada confirma esta declaração.
Fontes que refutam2
Tesouro Nacional
Carga tributária bruta do Governo Geral atinge 32,40% do PIB em 2025: maior valor da série e abaixo da média da OCDE, de 34,06%
Tesouro Transparente
Carga Tributária do Governo Geral, edição 2024: 32,32% do PIB, alta de 2,06 pontos percentuais sobre 2023
Contexto, sem tomar lado1
O Tempo · 28/07/2025
Estados Unidos pagam segunda menor tarifa entre maiores exportadores ao Brasil: alíquota média efetiva de 3,1% e 76% das importações sem imposto
Histórico
- 04/09/2026Criada pela redação.
- 04/09/2026Verificada pela redação.
SetorEconomiaInflação, emprego, renda, juros, câmbio, tributos, contas públicas, crescimento.
Fonte adicionada por leitor entra em análise antes de aparecer, e antes de contar para a classificação.