“A taxa de juro oficial, que é a Selic, vai lá para a lua. 14% é o maior juro real do mundo.”
Flavio BolsonaroPLVerificado pela redação
- Dito em
- 28 de agosto de 2026
- Fonte primária
- Registro na íntegra (abre em nova aba)
Nesta ocasião16 mentiras de 41 checadas
O que recebeu o selo
A afirmação de que o Brasil tem o maior juro real do mundo e o número de 14%. A imagem da lua é figura de linguagem e não recebe veredito.
O que os dados mostram
A Selic estava em 14,00% ao ano no dia da entrevista, exatamente o número citado: o Copom a cortou de 14,25% para 14,00% em 6 de agosto de 2026, e a série 432 do Banco Central registra 14,00% em 28 de agosto. Só que 14% é a taxa nominal. O juro real, que desconta a inflação projetada para os 12 meses seguintes, era de 9,67% no levantamento da MoneYou e da Lev Intelligence divulgado em 17 de junho de 2026, com o Brasil em primeiro lugar entre as 40 maiores economias, à frente da Rússia (9,31%). O mesmo levantamento trocou de líder duas vezes em agosto: em 5 de agosto o Brasil aparecia em segundo, com 9,33%, atrás da Rússia com 9,67%; depois do corte do Copom voltou ao primeiro lugar, com 9,30% contra 9,09% da Rússia. A liderança se sustenta na leitura mais recente antes da fala. O número de 14% não é o juro real.
Nenhum indicador transforma os 14% num juro real: 14% é a meta Selic nominal, e o juro real da mesma semana era 9,3%. A leitura contrária, de que o país não lidera, existe e é datada: o ranking da MoneYou é refeito a cada decisão de banco central, e Brasil e Rússia trocaram de posição duas vezes só em agosto de 2026. O valor no dia exato da fala está na série 432 do SGS do Banco Central; o ranking não está publicado em página aberta pela própria MoneYou, e por isso o dado de juro real permanece em fonte de reportagem. Defasagem declarada: a leitura da CNN é de 17 de junho de 2026, dois meses antes da fala. Divergência com a checagem publicada no mesmo dia: a Agência Lupa classificou a frase como verdadeira citando Brasil com 9,67% e Rússia com 9,31%, que são os números de junho; na leitura de 5 de agosto os 9,67% eram da Rússia, e não do Brasil.
Sobreposição editorial
A redação classificou esta declaração à mão, sobrepondo a contagem de fontes. A posição de primeiro no ranking de juro real se confirma na leitura mais recente antes da fala, mas os 14% citados são a Selic nominal, e não o juro real, que estava em 9,30%.
A mesma alegação, dita 2 vezes
O juro real brasileiro é de 14% e é o maior do mundo
No placar acumulado essas 2 ocorrências contam 2. No consolidado contam uma. Por que as duas contagens existem.
- 28/08/2026Sabatina do Jornal Nacional com Flávio Bolsonaroesta
«A taxa de juro oficial, que é a Selic, vai lá para a lua. 14% é o maior juro real do mundo.»
A afirmação de que o Brasil tem o maior juro real do mundo e o número de 14%. A imagem da lua é figura de linguagem e não recebe veredito.
- 30/08/2026Entrevista ao Domingo Espetacular com Flávio Bolsonaro
«Consequência: taxa Selic, a taxa real lá na estratosfera, lá na lua, 14%, o maior juro real do mundo.»
O veredito recai sobre os 14% apresentados como juro real e sobre a afirmação de que é o maior do mundo. A caracterização de que a taxa está na estratosfera é juízo e não foi checada.
A evidência
Fontes que confirmam2
Banco Central do Brasil
SGS série 432, Taxa de juros Selic meta definida pelo Copom: 14,00% ao ano em 28/08/2026
CNN Brasil · 17/06/2026
Corte na Selic não impede que Brasil volte a ter maior juro real do mundo: ranking MoneYou e Lev Intelligence, Brasil em 1º com 9,67%
Fontes que refutam0
Nenhuma fonte aprovada refuta esta declaração.
Contexto, sem tomar lado2
InfoMoney · 05/08/2026
Corte da Selic faz Brasil cair uma posição e leva país ao 2º maior juro real do mundo: Brasil com 9,33%, atrás da Rússia com 9,67%
Agência Lupa · 28/08/2026
No JN, Flávio Bolsonaro nega aquecimento global e erra sobre Pix, Dark Horse e ataques às urnas: a checagem publicada no mesmo dia
Histórico
- 04/09/2026Criada pela redação.
- 04/09/2026Verificada pela redação.
- 05/09/2026Reclassificada à mão para impreciso, sobrepondo a contagem de fontes.
SetorEconomiaInflação, emprego, renda, juros, câmbio, tributos, contas públicas, crescimento.
Fonte adicionada por leitor entra em análise antes de aparecer, e antes de contar para a classificação.