“Eu, governador Zema, não fiz um centavo de dívida. O único documento que eu não assinei como governador foi empréstimo e financiamento. Até porque o estado, Malu, não tinha nota de crédito. Nenhum banco empresta para Minas. Nenhum.”
ZemaNOVOVerificado pela redação
- Dito em
- 25 de agosto de 2026
- Fonte primária
- Registro na íntegra (abre em nova aba)
Nesta ocasião7 mentiras de 40 checadas
O que recebeu o selo
O veredito recai apenas sobre a última parte: a afirmação de que o estado não tinha nota de crédito e por isso não tomava empréstimo. A primeira oração, de que ele não fez um centavo de dívida, não recebe selo, e a razão está no resumo: o estoque da dívida com a União cresceu na gestão dele por outro caminho, o das liminares que suspenderam o pagamento, e foi isso que a sabatinadora lhe apontou ao vivo.
O que os dados mostram
A nota é a pior possível, e ela de fato barra crédito novo. Na Capacidade de Pagamento dos Estados de 2025, calculada pela Secretaria do Tesouro Nacional, Minas Gerais recebeu classificação D, a mais baixa da escala, com nota C nos três indicadores: endividamento de 181,78% (o limite para nota A é 60%), poupança corrente de 95,21% e liquidez de menos 19,53%. Só um outro estado ficou em D, o Rio de Janeiro. A regra é conhecida: para contratar operação de crédito com garantia da União, o ente precisa de Capag A ou B, de modo que a classificação D exclui Minas dessas operações. Onde a frase exagera é no absoluto: a vedação alcança a garantia da União, e não toda e qualquer operação de crédito, e o estado seguiu com dívida contratual em curso e com operações junto a organismos multilaterais herdadas de contratos anteriores. E o que a frase não diz, e a sabatinadora Malu Gaspar lhe apontou ao vivo minutos antes, é que não tomar empréstimo novo não impede a dívida de crescer: pela conta que ela apresentou na própria sabatina, o estado deixou de pagar a União por 21 meses amparado em liminares, e o saldo devedor seguiu correndo com juros e atualização monetária nesse período. O pagamento está suspenso por sucessivas decisões judiciais desde uma liminar obtida em 2018, ainda na gestão anterior. A dívida consolidada líquida do estado fechou 2025 em 167,46% da receita corrente líquida, abaixo do teto de 200% da Lei de Responsabilidade Fiscal.
O contraexemplo mais forte seria uma operação de crédito nova assinada na gestão dele, o que derrubaria a frase inteira. Não há registro de operação com garantia da União contratada por Minas no período, o que é coerente com a Capag D; mas o registro completo de operações de crédito do estado, no Sistema de Registro de Operações de Crédito, não está varrido, e por isso a oração sobre nunca ter assinado empréstimo fica fora do escopo do veredito, e não confirmada por omissão. Provar ausência exige contar, e essa contagem não está feita. A série no tempo é estável: a Capag de Minas é C ou D em todos os anos publicados desde 2018, ou seja, a situação que ele descreve é anterior à posse e persistiu. O item foi conferido no arquivo aberto da Capag no Tesouro Transparente, que traz os três indicadores e a nota por estado, e no balanço fiscal do próprio governo mineiro, recuperado pelo Internet Archive porque a Agência Minas está desativada por vedação eleitoral. Não há transcrição independente desta fala: o veredito se apoia na legenda automática, que corta o complemento de «não fiz um centavo», restituído na declaração como «de dívida».
O que ainda falta apurar: A frase não aparece em nenhuma cobertura publicada da sabatina; a transcrição é a legenda automática do YouTube. E a oração sobre nunca ter assinado empréstimo fica fora do selo, porque confirmá-la exigiria o registro completo das operações de crédito do estado.
Classificação automática: 1 fonte confirma contra 0 que refutam: verdade. Só fonte aprovada pela redação entra na contagem, e fonte de contexto não vota.
A mesma alegação, dita 2 vezes
Minas Gerais não tinha nota de crédito e nenhum banco lhe emprestava
No placar acumulado essas 2 ocorrências contam 2. No consolidado contam uma. Por que as duas contagens existem.
- 04/08/2026Sabatina do Antagonista e do G4 com Romeu Zema
«Estado de Minas não tem nota de crédito.»
- 25/08/2026Sabatina do Globo, Valor e CBN com Romeu Zemaesta
«Eu, governador Zema, não fiz um centavo de dívida. O único documento que eu não assinei como governador foi empréstimo e financiamento. Até porque o estado, Malu, não tinha nota de crédito. Nenhum banco empresta para Minas. Nenhum.»
O veredito recai apenas sobre a última parte: a afirmação de que o estado não tinha nota de crédito e por isso não tomava empréstimo. A primeira oração, de que ele não fez um centavo de dívida, não recebe selo, e a razão está no resumo: o estoque da dívida com a União cresceu na gestão dele por outro caminho, o das liminares que suspenderam o pagamento, e foi isso que a sabatinadora lhe apontou ao vivo.
A evidência
Fontes que confirmam1
Secretaria do Tesouro Nacional
Capacidade de Pagamento dos Estados e do Distrito Federal, 2025: Minas Gerais com classificação D e nota C nos três indicadores (endividamento 181,78%, poupança corrente 95,21%, liquidez -19,53%)
Fontes que refutam0
Nenhuma fonte aprovada refuta esta declaração.
Contexto, sem tomar lado3
Agência Minas, Governo de Minas Gerais · 30/01/2026
Governo de Minas mantém equilíbrio fiscal pelo quinto ano consecutivo (30/01/2026): dívida consolidada líquida em 167,46% da RCL em 2025, abaixo do limite de 200% da LRF; reprodução do Internet Archive
O Globo, Valor e CBN · 25/08/2026
Sabatina do Globo, Valor e CBN com Romeu Zema, 17:01: a sabatinadora Malu Gaspar confronta o candidato ao vivo com os 21 meses sem pagamento da dívida com a União e com a inflação da conta daí decorrente
g1, O Globo, Valor e CBN · 25/08/2026
Veja o que é #FATO e o que é #FAKE na sabatina de Romeu Zema a 'O Globo', 'Valor' e CBN: o pagamento da dívida de Minas com a União está suspenso por sucessivas decisões judiciais desde liminar obtida em 2018, na gestão anterior
Histórico
- 05/09/2026Criada pela redação.
- 05/09/2026Verificada pela redação.
SetorEconomiaInflação, emprego, renda, juros, câmbio, tributos, contas públicas, crescimento.
Fonte adicionada por leitor entra em análise antes de aparecer, e antes de contar para a classificação.